Apendicite Aguda: Diagnóstico Clínico e Conduta Cirúrgica

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 28 anos de idade, procura o pronto-socorro com dor abdominal aguda, que começou na região periumbilical e migrou para o quadrante inferior direito. Dá entrada com PA = 100 mmHg x 75 mmHg. A dor é constante e progressiva, acompanhada de náuseas e de febre baixa. Ao exame físico, o paciente apresenta sinal de Blumberg positivo e dor à descompressão no quadrante inferior direito. Os exames laboratoriais mostraram leucocitose de 17000 com desvio à esquerda e proteína C reativa aumentada. Com base nos achados clínicos, qual é a conduta mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Solicitar uma ultrassonografia abdominal para confirmar o diagnóstico de apendicite.
  2. B) Iniciar tratamento conservador com antibióticos e observação clínica.
  3. C) Realizar uma tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve para confirmar o diagnóstico.
  4. D) Encaminhar o paciente para colonoscopia, a fim de avaliar outras causas de dor abdominal.
  5. E) Levar o paciente imediatamente para cirurgia de apendicectomia.

Pérola Clínica

Dor migratória + Blumberg (+) + Leucocitose → Apendicectomia (Diagnóstico Clínico).

Resumo-Chave

Em pacientes jovens do sexo masculino com quadro clínico clássico de apendicite aguda, o diagnóstico é eminentemente clínico, autorizando a indicação cirúrgica imediata sem necessidade de exames de imagem.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico no mundo. Sua fisiopatologia geralmente envolve a obstrução do lúmen apendicular por fecálitos, hiperplasia linfoide ou corpos estranhos, levando à proliferação bacteriana e isquemia. O diagnóstico baseia-se na anamnese e exame físico detalhados. A migração da dor (sinal de Kocher) e a defesa abdominal são marcos clínicos. Embora a ultrassonografia e a tomografia tenham alta acurácia, o julgamento clínico permanece soberano em casos típicos para evitar o atraso terapêutico e complicações como peritonite difusa e sepse.

Perguntas Frequentes

Quando o diagnóstico de apendicite pode ser puramente clínico?

O diagnóstico pode ser puramente clínico em pacientes com a tríade clássica: dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, sinais de irritação peritoneal (como o sinal de Blumberg) e alterações laboratoriais compatíveis (leucocitose e PCR elevada). Em homens jovens, essa apresentação tem alto valor preditivo positivo, permitindo a indicação cirúrgica direta.

Qual o papel da Tomografia Computadorizada (TC) na apendicite?

A TC de abdome e pelve é o exame de imagem com maior sensibilidade e especificidade para apendicite. Ela é reservada para casos de dúvida diagnóstica, apresentações atípicas, pacientes idosos, obesos ou mulheres em idade fértil (onde diagnósticos diferenciais ginecológicos são comuns). No quadro clássico descrito, a TC é dispensável.

O que caracteriza o sinal de Blumberg?

O sinal de Blumberg é a dor à descompressão súbita no ponto de McBurney (localizado a dois terços da distância entre o umbigo e a espinha ilíaca anterossuperior direita). Ele indica irritação do peritônio parietal, sendo um achado fundamental no exame físico do abdome agudo inflamatório, sugerindo apendicite em evolução.

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