HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2023
Paciente do sexo masculino, 25 anos, em acompanhamento de uma leucemia recentemente tratada, relata dor abdominal há cerca de 48 horas, inicialmente difusa que se localizou na Fossa Ilíaca Direita (FID) e posteriormente difusa novamente. Exames laboratoriais da admissão mostram: leucócitos totais: 15.500; Hemoglobina: 13,5gr/dl; urina rotina normal. Ao exame clínico apresenta FC: 98bpm, FR: 17irpm, abdome levemente distendido, com descompressão dolorosa na FID. A radiografia de tórax em ortostatismo não mostra pneumoperitônio e radiografia de abdome mostra alça sentinela na FID. Em relação ao caso clínico descrito, é CORRETO afirmar que:
Paciente imunocomprometido com clínica de apendicite aguda → Cirurgia imediata + ATB, alto risco de perfuração.
Em pacientes imunocomprometidos, como aqueles com leucemia tratada, a apendicite aguda pode ter uma apresentação atípica ou mascarada. No entanto, a presença de sinais e sintomas típicos, como dor migratória para FID e descompressão dolorosa, exige conduta cirúrgica imediata e antibioticoterapia devido ao alto risco de perfuração e complicações.
A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de dor abdominal aguda que requer intervenção cirúrgica. Em pacientes imunocomprometidos, como aqueles com leucemia tratada, o diagnóstico e manejo podem ser particularmente desafiadores. A resposta inflamatória atenuada devido à imunossupressão pode mascarar os sinais e sintomas clássicos, levando a um atraso no diagnóstico e a um risco aumentado de perfuração e complicações graves, como peritonite e sepse. No caso apresentado, apesar da imunocomprometimento, o paciente exibe uma apresentação clínica bastante típica de apendicite aguda: dor abdominal inicialmente difusa que se localiza na fossa ilíaca direita (FID) e depois se difunde novamente, descompressão dolorosa na FID, taquicardia e leucocitose. A radiografia de abdome mostrando alça sentinela na FID é um achado inespecífico, mas que pode corroborar a inflamação local. A ausência de pneumoperitônio no RX de tórax afasta perfuração livre, mas não exclui perfuração contida. Diante de uma forte suspeita clínica de apendicite aguda em um paciente imunocomprometido, a conduta mais apropriada é a intervenção cirúrgica imediata (apendicectomia) para remover o apêndice inflamado e prevenir a perfuração, que é mais provável e grave nesse grupo de pacientes. A antibioticoterapia de amplo espectro deve ser iniciada precocemente no pré-operatório para cobrir a flora intestinal e reduzir o risco de infecções pós-operatórias. O tratamento clínico conservador não é recomendado para apendicite aguda em pacientes imunocomprometidos devido aos altos riscos associados.
Em pacientes imunocomprometidos, a apendicite aguda pode ter uma apresentação atípica, com sintomas menos exuberantes e sinais inflamatórios menos evidentes, devido à resposta imune suprimida. Isso pode atrasar o diagnóstico e aumentar o risco de perfuração.
Diante de sinais e sintomas típicos de apendicite aguda em um paciente imunocomprometido, a conduta mais adequada é o encaminhamento imediato ao bloco cirúrgico para apendicectomia, juntamente com o início de antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir flora intestinal.
A tomografia computadorizada de abdome é uma ferramenta diagnóstica valiosa, especialmente em casos atípicos ou para diferenciar de outras causas de dor abdominal. No entanto, em pacientes com apresentação clínica clássica e achados de exame físico sugestivos, a decisão cirúrgica pode ser tomada sem a necessidade de TC pré-operatória, para evitar atrasos.
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