UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2015
Adolescente de 14 anos dá entrada com história de dor abdominal há dois dias, inicialmente difusa e posteriormente localizada na fossa ilíaca direita, náuseas, anorexia e febre. A rotina radiológica de abdome agudo mostra apagamento do psoas e alça sentinela no lado direito. A leucometria é de 18.000, com 7% de bastões. O EAS mostra piúria com nitrito positivo. Ela refere amenorreia de quatro semanas e leucorreia. Ao exame há franca irritação peritoneal com sinal de Blumberg positivo na fossa ilíaca direita. Qual conduta seria a mais indicada nesta situação?
Adolescente com dor FID e suspeita de apendicite, mas com sintomas ginecológicos/urinários, videolaparoscopia é ideal para diagnóstico e tratamento.
Em adolescentes do sexo feminino com dor abdominal na fossa ilíaca direita (FID) e suspeita de apendicite aguda, a presença de sintomas ginecológicos (amenorreia, leucorreia) ou urinários (piúria, nitrito positivo) torna o diagnóstico diferencial mais complexo. A videolaparoscopia é a conduta mais indicada, pois permite a exploração diagnóstica da cavidade abdominal e pélvica, diferenciando apendicite de outras condições como gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica ou torção ovariana, e possibilitando o tratamento definitivo na mesma abordagem.
A dor abdominal aguda em adolescentes, especialmente em meninas, representa um desafio diagnóstico significativo devido à ampla gama de possíveis etiologias. A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, mas a sobreposição de sintomas com condições ginecológicas e urinárias exige uma abordagem diagnóstica cuidadosa. A epidemiologia da apendicite mostra um pico de incidência na segunda e terceira décadas de vida, e a apresentação clínica pode ser atípica em adolescentes, dificultando o diagnóstico. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico precoce para evitar complicações graves como perfuração e peritonite. A fisiopatologia da apendicite envolve a obstrução do lúmen apendicular, levando à inflamação, isquemia e, potencialmente, perfuração. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história (dor migratória, anorexia, náuseas) e exame físico (dor na FID, Blumberg positivo). Exames complementares como hemograma (leucocitose com desvio à esquerda) e exames de imagem (ultrassonografia ou tomografia abdominal) auxiliam na confirmação. No entanto, em adolescentes do sexo feminino, a presença de amenorreia (sugerindo gravidez, incluindo ectópica), leucorreia (sugerindo DIP) e piúria/nitrito positivo (sugerindo ITU ou irritação por apendicite) complica o quadro, exigindo a consideração de múltiplos diagnósticos diferenciais. Diante de um quadro complexo, a videolaparoscopia diagnóstica e terapêutica emerge como a conduta mais indicada. Este procedimento minimamente invasivo permite a visualização direta do apêndice, ovários, tubas uterinas e útero, possibilitando o diagnóstico preciso e o tratamento imediato da condição encontrada, seja apendicectomia, salpingectomia para gravidez ectópica, ou lise de aderências. Iniciar antibióticos e observar pode atrasar o tratamento de uma condição cirúrgica, enquanto uma laparotomia exploradora pode ser excessivamente invasiva sem um diagnóstico claro. A solicitação de múltiplos exames sem uma abordagem cirúrgica diagnóstica pode prolongar o sofrimento e o risco de complicações. Residentes devem estar aptos a integrar os achados clínicos e laboratoriais para tomar decisões rápidas e eficazes, priorizando a segurança e o melhor desfecho para o paciente.
A apendicite aguda geralmente se manifesta com dor abdominal periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita (FID), náuseas, vômitos, anorexia e febre baixa. Ao exame físico, pode haver dor à palpação na FID, sinal de Blumberg positivo e defesa abdominal.
Em adolescentes do sexo feminino, o diagnóstico diferencial é amplo e inclui gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica (DIP), torção ovariana, cisto ovariano roto, infecção do trato urinário (ITU) e adenite mesentérica. A história clínica detalhada, exame físico, exames laboratoriais (beta-HCG, EAS, hemograma) e de imagem (ultrassonografia pélvica/abdominal, TC) são cruciais.
A videolaparoscopia é a conduta mais indicada porque permite uma exploração visual direta da cavidade abdominal e pélvica, possibilitando o diagnóstico preciso da causa da dor (seja apendicite, gravidez ectópica, DIP ou outra condição) e, na maioria dos casos, o tratamento definitivo na mesma cirurgia, minimizando a necessidade de múltiplas abordagens ou laparotomias desnecessárias.
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