Apendicite Aguda: Diagnóstico Clínico e Escore de Alvarado

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Paciente masculino, 15 anos. Há 2 dias, queixa-se de dor abdominal, que inicialmente localizava-se no andar superior e agora é mais intensa na fossa ilíaca direita. Refere náuseas desde o início do quadro e hoje não se alimentou, pois não sente fome, além de ter apresentado diarreia. Ao exame físico, apresenta temperatura axilar de 38,1ºC, frequência cardíaca de 90 bpm, frequência respiratória de 16 irpm, pressão arterial de 110 x 60 mmHg, abdome doloroso à palpação da fossa ilíaca direita, mas sem sinal de piora da dor à descompressão brusca. O único exame laboratorial realizado foi um hemograma: Hb: 14,5 (valores de referência: 12,8 -16,0 g/dL); Plq: 250.000 (valores de referência: 150.000 - 450.000 / mm3); GB: 15000 (valores de referência: 3600 - 9100 / mm3), bastonetes 10% / segmentados 65% / linfócitos 20% / monócitos 3% / eosinófilos 1% / basófilos 1%. Qual a melhor maneira de prosseguir com a investigação diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Não há indicação de exames complementares adicionais.
  2. B) Ultrassonografia de abdome.
  3. C) Tomografia de abdome.
  4. D) Urina tipo 1.

Pérola Clínica

Apendicite aguda: dor periumbilical → FID, anorexia, náuseas, febre, leucocitose com desvio. Escore Alvarado > 7 = indicação cirúrgica.

Resumo-Chave

O paciente apresenta quadro clínico clássico de apendicite aguda (dor migratória, anorexia, náuseas, febre, dor em FID, leucocitose com desvio). Com um escore de Alvarado elevado (7 pontos: dor migratória 1, anorexia 1, náuseas/vômitos 1, dor FID 2, febre 1, leucocitose 2, desvio à esquerda 1 = 9 pontos), a indicação é cirúrgica, sem necessidade de exames de imagem adicionais.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, especialmente em adolescentes e adultos jovens. Sua apresentação clínica clássica, caracterizada pela dor abdominal migratória (do periumbilical para a fossa ilíaca direita), anorexia, náuseas e febre, é crucial para o diagnóstico. A identificação precoce é vital para prevenir complicações como a perfuração. O diagnóstico da apendicite aguda é primariamente clínico, complementado por exames laboratoriais como o hemograma, que frequentemente revela leucocitose com desvio à esquerda. Ferramentas como o escore de Alvarado são úteis para estratificar o risco. Em pacientes com apresentação típica e escore de Alvarado elevado, a conduta é a apendicectomia, sem a necessidade de exames de imagem adicionais que poderiam atrasar o tratamento. A decisão de não realizar exames complementares adicionais em um quadro clínico tão típico reflete a importância do julgamento clínico apurado. Atrasos no tratamento podem levar à perfuração do apêndice, peritonite e aumento da morbimortalidade, ressaltando a relevância deste tema para a formação de residentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da apendicite aguda?

Os sintomas clássicos incluem dor abdominal que se inicia periumbilical e migra para a fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas, vômitos e febre baixa.

Como o escore de Alvarado auxilia no diagnóstico da apendicite?

O escore de Alvarado atribui pontos a sintomas (dor migratória, anorexia, náuseas/vômitos), sinais (dor em FID, descompressão dolorosa, febre) e exames laboratoriais (leucocitose, desvio à esquerda). Um escore > 7 geralmente indica alta probabilidade de apendicite e pode justificar a cirurgia sem exames de imagem adicionais.

Quando exames de imagem são indicados na suspeita de apendicite?

Exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia de abdome são indicados em casos atípicos, com apresentação clínica duvidosa, ou em pacientes pediátricos e mulheres em idade fértil, onde o diagnóstico diferencial é mais amplo.

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