SGCH - Santa Genoveva Complexo Hospitalar (MG) — Prova 2021
Paciente de 23 anos, há 3 dias com dor abdominal já localizada em fossa ilíaca direita, associada a hiporexia, sem melhora com uso de dipirona. Nega náusea. Nega febre. Relata piora progressiva da dor, que se intensificou na data de hoje. Conta que já apresentou 2 episódios semelhantes ao quadro clínico atual, porém apresentaram resolução espontânea. Nega sintomas urinários. Ao exame físico: bom estado geral, corado, hidratado, eupneico, anictérico, acianótico, afebril. Aparelho cardiopulmonar sem alterações. Abdome com ruídos presentes, flácido, depressível, doloroso em fossa ilíaca direita, sem sinais de irritação peritoneal. Sinal de Blumberg, Rovsing, Dunphy: todos negativos. Apresenta discreta leucocitose em hemograma, exame de urina normal. Foi submetido a tomografia de abdome e pelve com contraste (figura abaixo). Assinale a correta:
Apendicite aguda atípica/recorrente → dor FID, hiporexia, leucocitose, fecalito na TC, mesmo sem sinais clássicos.
A apresentação clínica da apendicite aguda pode ser atípica, como dor sem náuseas/febre e sinais de irritação peritoneal ausentes, especialmente em casos recorrentes. A TC é crucial para confirmar o diagnóstico, identificando sinais como fecalito, espessamento apendicular e inflamação periapendicular.
A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, com incidência ao longo da vida de aproximadamente 7%. Embora clássica, sua apresentação clínica pode ser bastante variável, tornando o diagnóstico um desafio, especialmente em casos atípicos ou recorrentes. É crucial para residentes dominar o reconhecimento precoce para evitar complicações graves. O diagnóstico baseia-se na tríade clínica (dor abdominal migratória para FID, náuseas/vômitos, anorexia), exame físico (dor à palpação em FID, sinais de irritação peritoneal) e exames laboratoriais (leucocitose). No entanto, a tomografia computadorizada de abdome e pelve com contraste é o exame de imagem de escolha, com alta sensibilidade e especificidade, capaz de identificar sinais como apêndice dilatado, espessamento parietal, inflamação periapendicular e a presença de fecalito, que é um forte preditor de apendicite. O tratamento padrão é a apendicectomia, que pode ser realizada por via laparoscópica ou aberta. O prognóstico é excelente com diagnóstico e tratamento precoces. A atenção a apresentações atípicas, como a dor sem febre ou náuseas e a história de episódios prévios de resolução espontânea (sugerindo apendicite recorrente), é fundamental para não atrasar a intervenção e prevenir perfurações ou abscessos.
Os sinais incluem apêndice dilatado (>6mm), espessamento da parede apendicular, inflamação da gordura periapendicular, apendicolito (fecalito) e, em casos complicados, abscesso ou perfuração.
Sim, a apresentação clínica da apendicite pode variar. Pacientes podem não apresentar febre ou náuseas, e os sinais de irritação peritoneal podem estar ausentes, especialmente em fases iniciais ou em apendicite recorrente.
A presença de um fecalito (apendicolito) é um forte indicativo de obstrução da luz apendicular, que é o principal mecanismo fisiopatológico da apendicite aguda, aumentando o risco de complicações.
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