SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026
Um paciente de 28 anos de idade procurou o pronto atendimento por dor abdominal iniciada há 18 horas em região periumbilical, migrando para fossa ilíaca direita. Referiu náuseas, hiporexia e febrícula. Ao exame físico, o paciente apresentava-se lúcido, com dor localizada em fossa ilíaca direita, sinal de Blumberg discretamente positivo; FC = 104 bpm, FR = 20 irpm, PA = 122x78 mmHg e temperatura = 37,8°C. O hemograma mostrou leucócitos = 14.900/mm³ com neutrofilia, e a ultrassonografia evidenciou apêndice não compressível, com diâmetro de 8 mm e espessamento de parede. Assinale a alternativa que corresponde à principal alteração fisiopatológica responsável pela progressão da apendicite aguda:
Obstrução luminal → ↑ pressão → isquemia → translocação bacteriana = Apendicite.
A obstrução do lúmen (por fecalitos ou hiperplasia linfoide) desencadeia um aumento da pressão intraluminal, levando ao colapso venoso, isquemia e eventual necrose da parede apendicular.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico no mundo. Sua compreensão fisiopatológica explica os achados clínicos clássicos: a obstrução em 'alça fechada' gera um aumento contínuo da pressão intraluminal que excede a pressão de perfusão capilar e venosa, resultando em isquemia tecidual. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na anamnese e no exame físico (sinais de McBurney, Blumberg, Rovsing). Exames de imagem como a ultrassonografia e a tomografia são úteis em casos duvidosos, revelando sinais indiretos como o aumento do diâmetro apendicular (> 6mm) e o espessamento das paredes, que refletem o processo obstrutivo e inflamatório descrito.
A obstrução do lúmen apendicular é o evento iniciador na maioria dos casos. Em adultos, a causa mais comum é a presença de um fecalito (massa endurecida de fezes). Em crianças e adultos jovens, a hiperplasia dos folículos linfoides submucosos (frequentemente após infecções virais) é a causa predominante. Outras causas menos comuns incluem corpos estranhos, parasitas (como Ascaris) e neoplasias (como o tumor carcinoide).
A dor inicial é visceral, causada pela distensão do apêndice devido à obstrução e acúmulo de muco; essa dor é transmitida por fibras aferentes simpáticas para os níveis T8-T10, sendo referida na região periumbilical. À medida que a inflamação progride e atinge a serosa do apêndice e o peritônio parietal adjacente, a dor torna-se somática, bem localizada e intensa na fossa ilíaca direita (ponto de McBurney).
A apendicite evolui em quatro fases: 1) Fase Edematosa ou Catarral (obstrução e edema); 2) Fase Flegmonosa ou Supurativa (comprometimento linfático e venoso com proliferação bacteriana); 3) Fase Gangrenosa ou Isquêmica (comprometimento arterial e infartos na parede); 4) Fase Perfurativa (necrose transmural e extravasamento de conteúdo purulento/fecal para a cavidade abdominal).
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