SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021
Paciente, sexo feminino, 30 anos de idade, é levada ao Pronto Socorro do Hospital Regional com história de dor em abdome inferior, de moderada intensidade, há 12 horas, sem melhora com analgésico comum. A paciente refere também hiporexia, alguns episódios de náuseas e vômitos, disúria e polaciúria há dois dias. Nega outros sintomas e comorbidades. Ao exame físico, bom estado geral, corada, desidratada +1/+4, FC: 94bpm, PA: 110x74mmHg, FR: 18imp, T:37,9°C; auscultas cardíaca e respiratória sem alterações; abdome um pouco distendido, ruídos hidroaéreos um pouco aumentados difusamente, flácido, dor à palpação profunda de hipogástrio, sinal de Giordano negativo. Realizados exames laboratoriais que apresentaram Hb: 12g/dL, Ht=36%, Leucócitos totais: 14000células/mm³ (Bastões 4%), Ureia: 35mg/dL, Creatinina: 1,0mg/ dL, Na: 142mEq/L, K: 4,0mEq/L. Exame de urina: leucócitos: 1.000.000 céls/ml, hemácias: 1.000.000 céls/ ml. Foi realizado tomografia computadorizada de abdome.Diante do caso clínico e do exame complementar, Indique a principal suspeita diagnóstica que motivou a paciente a procurar o Pronto Socorro.
Dor abdominal + anorexia + náuseas + piúria estéril/disúria → pensar em apendicite pélvica.
A apendicite pélvica pode mimetizar quadros urinários ou ginecológicos devido à proximidade do apêndice inflamado com a bexiga, gerando disúria e leucocitúria reacional.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico no mundo. Sua apresentação clássica envolve dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, mas variações anatômicas do apêndice (retrocecal, pélvico, sub-hepático) alteram a localização da dor e os sintomas associados. No caso apresentado, a paciente de 30 anos apresenta dor em hipogástrio, náuseas, vômitos e febre baixa, associados a uma leucocitose importante e alterações no sedimento urinário. A TC de abdome é fundamental para diferenciar apendicite de doença inflamatória pélvica (DIP) ou cistite complicada, confirmando a etiologia inflamatória do apêndice.
Quando o apêndice está em posição pélvica, a inflamação adjacente pode irritar o ureter ou a parede da bexiga. Isso resulta em sintomas como disúria, polaciúria e até mesmo a presença de leucócitos e hemácias no exame de urina (piúria reacional).
A tomografia computadorizada de abdome é o padrão-ouro para diagnóstico em adultos, apresentando sensibilidade e especificidade superiores a 95%. Ela permite visualizar o espessamento do apêndice (>6mm), densificação da gordura periapendicular e possíveis coleções.
A anorexia (hiporexia) é um dos sintomas mais clássicos e precoces da apendicite aguda, compondo escores diagnósticos como o de Alvarado. Sua ausência deve levar o clínico a considerar diagnósticos alternativos com cautela.
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