SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, de 35 anos de idade, com queixa de dor abdominal há 5 dias, iniciada em epigastro, agora localizada em fossa ilíaca direita, associada a inapetência e febre não medida, está recebendo atendimento em um hospital. A paciente nega corrimento vaginal. Exames revelaram o seguinte: HB = 12,4; leucograma = 14.900, com desvio à esquerda; urina 1 com leucocitúria; e nitrito negativo. O exame físico revelou dor à palpação de fossa ilíaca direita, com defesa localizada neste quadrante. A respeito desse caso hipotético, assinale a alternativa correta.
Dor abdominal migratória (epigastro → FID) + leucocitose + defesa FID → Apendicite aguda.
A dor abdominal migratória, característica da apendicite aguda, inicia-se periumbilical ou epigástrica devido à irritação visceral e migra para a fossa ilíaca direita com a inflamação do peritônio parietal. A leucocitúria pode ocorrer por irritação do ureter adjacente, mas o nitrito negativo afasta ITU como causa primária.
A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, sendo crucial o diagnóstico precoce para evitar complicações graves como perfuração e peritonite. Afeta predominantemente jovens, mas pode ocorrer em qualquer idade, com incidência ligeiramente maior em homens. A história clínica e o exame físico são pilares diagnósticos. A fisiopatologia envolve a obstrução da luz apendicular, geralmente por fecalito, hiperplasia linfoide ou parasitas, levando à proliferação bacteriana, inflamação, isquemia e, eventualmente, necrose e perfuração. A dor migratória é um achado clássico: inicia-se visceralmente no epigastro ou periumbilical e, com a progressão da inflamação para o peritônio parietal, localiza-se na fossa ilíaca direita. Leucocitose com desvio à esquerda é comum, e a leucocitúria pode ser um achado incidental por irritação do ureter ou bexiga adjacente. O tratamento definitivo é cirúrgico (apendicectomia). Exames de imagem como ultrassonografia (primeira linha em crianças e gestantes) e tomografia computadorizada (alta sensibilidade e especificidade, útil em casos duvidosos) auxiliam na confirmação diagnóstica e exclusão de diferenciais. A avaliação de escores como Alvarado pode guiar a conduta, mas a decisão final é clínica.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal migratória (epigastro/periumbilical para FID), inapetência, náuseas/vômitos, febre baixa, leucocitose com desvio à esquerda e dor à palpação em fossa ilíaca direita.
A leucocitúria pode ocorrer na apendicite aguda devido à proximidade do apêndice inflamado com o ureter direito ou a bexiga, causando irritação e passagem de leucócitos para a urina, sem necessariamente indicar uma infecção do trato urinário primária.
A tomografia computadorizada é um exame de imagem altamente sensível e específico para confirmar o diagnóstico de apendicite aguda, especialmente em casos atípicos ou quando há dúvida clínica, ajudando a diferenciar de outras causas de dor abdominal.
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