MedEvo Simulado — Prova 2026
Um menino de 8 anos é levado ao pronto-atendimento com história de dor abdominal iniciada há cerca de 24 horas. Inicialmente, a dor era mal localizada na região periumbilical, mas nas últimas 6 horas migrou para a fossa ilíaca direita e tornou-se mais intensa. O paciente apresenta náuseas, um episódio de vômito e recusa alimentar (anorexia). Ao exame físico, encontra-se em regular estado geral, febril (37,9 °C), com dor importante à palpação profunda em fossa ilíaca direita e sinal de Blumberg positivo. Traz os seguintes exames laboratoriais colhidos na admissão: | Exame | Resultado | Valor de Referência | |:--- |:---:|:--- | | Leucócitos | 15.200/mm³ | 4.500 - 11.000/mm³ | | Neutrófilos totais | 82% | 40 - 70% | | Proteína C-Reativa (PCR) | 52 mg/L | < 5 mg/L | | Urina tipo I | Aspecto límpido, sem nitrito ou leucocitúria | - | Com base no quadro clínico e laboratorial, a conduta mais adequada é:
Dor periumbilical que migra para FID + Anorexia + Blumberg+ → Apendicite Aguda.
Em crianças com quadro clínico clássico de apendicite (migração da dor, irritação peritoneal e leucocitose), o diagnóstico é clínico e a conduta é cirúrgica.
A apendicite aguda é a emergência cirúrgica abdominal mais frequente na população pediátrica. A fisiopatologia geralmente envolve a obstrução do lúmen apendicular por fecalitos ou hiperplasia linfoide, levando à proliferação bacteriana, isquemia da parede e eventual perfuração. Em crianças menores, o omento é menos desenvolvido, o que facilita a progressão para peritonite generalizada em vez de bloqueio localizado. O quadro clínico clássico inicia-se com dor visceral periumbilical (estimulação de fibras simpáticas T10), que evolui para dor somática localizada na fossa ilíaca direita após o envolvimento do peritônio parietal. O tratamento envolve estabilização hemodinâmica com hidratação venosa, início de antibioticoterapia profilática (cobrindo gram-negativos e anaeróbios) e apendicectomia. O atraso diagnóstico é o principal fator de risco para complicações pós-operatórias.
Em casos típicos, onde há a tríade clássica de dor migratória para a fossa ilíaca direita, sinais de irritação peritoneal (como Blumberg positivo) e evidência laboratorial de inflamação (leucocitose e PCR elevada), o diagnóstico é eminentemente clínico. Exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia são reservados para casos duvidosos, apresentações atípicas ou quando o escore clínico (como o de Alvarado) é intermediário.
O Escore de Alvarado é uma ferramenta de estratificação de risco que avalia sintomas (dor migratória, anorexia, náuseas), sinais (dor na FID, descompressão dolorosa, febre) e laboratório (leucocitose, desvio à esquerda). Pontuações de 7 ou mais indicam alta probabilidade de apendicite e geralmente autorizam a intervenção cirúrgica sem necessidade de exames de imagem adicionais em muitos protocolos.
Embora existam estudos recentes discutindo o manejo conservador com antibióticos para apendicite não complicada, a apendicectomia (preferencialmente laparoscópica) continua sendo o padrão-ouro de tratamento. O manejo conservador apresenta taxas significativas de falha e recorrência, sendo a cirurgia a conduta mais segura para evitar complicações como abscesso e sepse.
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