Dor Abdominal em Mulheres: Apendicite vs. Ectópica

SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 19 anos de idade, chega ao pronto atendimento com quadro de dor abdominal, informando que a dor iniciou na região periumbilical há cerca de dois dias e que no momento a dor está localizada na fossa ilíaca direita. Refere náuseas e vômitos. Nega alterações no habito intestinal e nega queixas urinarias. Relata ciclo menstrual irregular e que não menstrua há cerca de três meses. Ao exame físico a paciente apresenta leve desidratação, corada eupneica, temperatura de 37,9 Celsius, frequência cardíaca de 60 bpm e PA 120 x 90 mmhg, abdômen pouco distendido doloroso a palpação em fossa ilíaca direita, com blumberg positivo em fossa ilíaca direita e sinais de irritação peritoneal. Assinale a alternativa correta em relação ao caso em questão.

Alternativas

  1. A) A principal hipótese diagnóstica é de apendicite aguda, o principal diagnóstico diferencial é infecção do trato urinário e o principal exame a ser realizado é a ultrasonografia de abdômen total.
  2. B) A principal hipótese diagnóstica é de gravidez ectópica rota, o principal diagnóstico diferencial é apendicite aguda e o principal exame a ser realizado é o raio x simples de abdômen.
  3. C) A principal hipótese diagnóstica é de gravidez ectópica rota, o principal diagnóstico diferencial é a infecção do trato urinário e o principal exame a ser realizado é o exame sumario de urina.
  4. D) A principal hipótese diagnóstica é de apendicite aguda, o principal diagnóstico diferencial é a gravidez ectópica rota e o principal exame a ser realizado é a dosagem do BHCG.

Pérola Clínica

Mulher jovem com dor em FID + amenorreia → Apendicite aguda vs. Gravidez ectópica rota. BHCG é mandatório.

Resumo-Chave

Em mulheres jovens com dor abdominal aguda, especialmente em fossa ilíaca direita e com história de amenorreia ou irregularidade menstrual, a gravidez ectópica rota é um diagnóstico diferencial crucial da apendicite aguda. A dosagem de BHCG é o exame inicial mais importante para descartar ou confirmar uma gestação.

Contexto Educacional

A dor abdominal aguda em mulheres jovens é um desafio diagnóstico no pronto atendimento, exigindo uma abordagem sistemática para diferenciar condições cirúrgicas de ginecológicas. A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, caracterizada por dor periumbilical migratória para a fossa ilíaca direita, náuseas, vômitos e febre. No entanto, em mulheres em idade fértil, o espectro de diagnósticos diferenciais se amplia consideravelmente, incluindo condições ginecológicas que podem mimetizar a apendicite. A gravidez ectópica rota é um diagnóstico diferencial crítico e potencialmente fatal. A história de amenorreia, ciclos menstruais irregulares ou atraso menstrual, combinada com dor abdominal e sinais de irritação peritoneal, deve levantar forte suspeita. A ruptura de um cisto ovariano, doença inflamatória pélvica e torção de ovário também são importantes a serem consideradas. A avaliação inicial deve incluir um exame físico detalhado, com atenção especial ao exame ginecológico, e exames laboratoriais. Para o manejo, a dosagem de BHCG é o exame mais importante e urgente em qualquer mulher em idade fértil com dor abdominal, para descartar ou confirmar uma gravidez. Se o BHCG for positivo, a ultrassonografia pélvica ou transvaginal é essencial para determinar a localização da gravidez. Em casos de apendicite, a ultrassonografia abdominal ou tomografia computadorizada podem auxiliar no diagnóstico. O residente deve estar apto a integrar a história clínica, exame físico e exames complementares para chegar ao diagnóstico correto e instituir o tratamento adequado, que pode variar de observação a intervenção cirúrgica de emergência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da apendicite aguda?

A apendicite aguda tipicamente começa com dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita. Pode ser acompanhada de náuseas, vômitos, anorexia e febre baixa. Ao exame físico, há dor à palpação em fossa ilíaca direita e sinais de irritação peritoneal, como Blumberg positivo.

Por que a gravidez ectópica rota é um diagnóstico diferencial tão importante em mulheres jovens com dor abdominal?

A gravidez ectópica rota pode apresentar-se com dor abdominal aguda, sinais de irritação peritoneal e até choque hipovolêmico, mimetizando outras condições abdominais agudas. A história de amenorreia ou irregularidade menstrual é um forte indício, e a ruptura pode ser fatal se não diagnosticada e tratada rapidamente.

Qual o papel do BHCG no diagnóstico diferencial de dor abdominal em mulheres em idade fértil?

A dosagem de BHCG é fundamental para confirmar ou excluir uma gravidez, seja ela intrauterina ou ectópica. Em casos de dor abdominal aguda em mulheres em idade fértil, o BHCG deve ser um dos primeiros exames a serem solicitados para guiar o diagnóstico e a conduta, especialmente para descartar gravidez ectópica.

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