Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Adolescente de 12 anos chega ao pronto-atendimento com dor súbita e intensa em fossa ilíaca direita, febre e náuseas. Sinal de blumberg positivo. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Dor em FID + Blumberg (+) + Febre/Náuseas → Apendicite Aguda.
A apendicite aguda é a principal causa de abdome agudo cirúrgico em adolescentes, apresentando-se classicamente com dor migratória para a fossa ilíaca direita e sinais de irritação peritoneal.
A apendicite aguda resulta da obstrução da luz apendicular, geralmente por fecalitos, hiperplasia linfoide ou parasitas. Essa obstrução leva ao aumento da pressão intraluminal, isquemia da mucosa e proliferação bacteriana, culminando em inflamação e potencial perfuração. A apresentação clínica clássica inicia-se com dor periumbilical inespecífica que migra para a fossa ilíaca direita após algumas horas, acompanhada de anorexia e febre baixa. O manejo padrão-ouro é a apendicectomia, preferencialmente por via laparoscópica, que oferece recuperação mais rápida e menor taxa de infecção de ferida operatória. O reconhecimento precoce é crucial para evitar complicações como peritonite generalizada e sepse, que aumentam significativamente a morbimortalidade e o tempo de internação hospitalar.
O sinal de Blumberg é caracterizado pela dor à descompressão súbita no ponto de McBurney, localizado na fossa ilíaca direita. Esse achado clínico é um forte indicativo de irritação peritoneal, sendo um dos pilares diagnósticos para apendicite aguda. Em pacientes pediátricos e adolescentes, a presença deste sinal associada a sintomas sistêmicos como febre e náuseas eleva significativamente a probabilidade diagnóstica, muitas vezes dispensando exames de imagem complexos em casos clássicos.
Em adolescentes, os principais diferenciais incluem a linfadenite mesentérica (frequentemente precedida por infecção de vias aéreas superiores), gastroenterites, divertículo de Meckel e, em pacientes do sexo feminino, patologias anexiais como cisto de ovário hemorrágico ou torção de anexo. A diferenciação clínica baseia-se na persistência e localização da dor, além da presença de sinais de defesa abdominal que são mais típicos da apendicite.
Embora o diagnóstico de apendicite seja eminentemente clínico, exames de imagem como a ultrassonografia de abdome são indicados em casos de dúvida diagnóstica ou apresentações atípicas. A ultrassonografia é o método de escolha inicial na pediatria por não utilizar radiação ionizante. Caso o ultrassom seja inconclusivo e a suspeita persista, a tomografia computadorizada ou a ressonância magnética podem ser utilizadas para confirmar o diagnóstico e avaliar complicações como abscessos.
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