Apendicite Aguda: Diagnóstico e Tratamento Laparoscópico

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Mulher 24 anos, dor em fossa ilíaca direita há 12 h, Temperatura 38°C, leucócitos 14 000. US: apêndice 9 mm de diâmetro, não compressível. Escolha o melhor tratamento?

Alternativas

  1. A) Colonoscopia.
  2. B) Antibiótico ambulatorial.
  3. C) Laparoscopia diagnóstica.
  4. D) Apendicectomia videolaparoscópica.
  5. E) Tomografia de abdome antes de indicar cirurgia.

Pérola Clínica

Dor em FID + Febre + Leucocitose + Apêndice > 6mm no US = Apendicectomia (preferencialmente Laparoscópica).

Resumo-Chave

O diagnóstico de apendicite aguda é clínico-laboratorial; em casos de dúvida, o US é o primeiro exame de imagem, e a cirurgia laparoscópica é o padrão-ouro.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico no mundo. A fisiopatologia envolve a obstrução da luz apendicular (por fecalitos, hiperplasia linfoide ou neoplasias), levando ao aumento da pressão intraluminal, isquemia da mucosa e invasão bacteriana. O quadro clínico clássico inicia com dor periumbilical imprecisa que migra para a fossa ilíaca direita (ponto de McBurney). O diagnóstico é eminentemente clínico, mas exames de imagem como a ultrassonografia e a tomografia computadorizada possuem alta sensibilidade e especificidade. A escolha do tratamento cirúrgico precoce visa prevenir complicações graves como a peritonite generalizada e a formação de abscessos. A técnica videolaparoscópica consolidou-se como preferencial por reduzir a morbidade operatória.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados ultrassonográficos típicos da apendicite?

Os principais achados incluem um apêndice com diâmetro transverso superior a 6 mm, aperistáltico e não compressível à pressão do transdutor. Outros sinais indiretos importantes são a presença de apendicolito, líquido livre na fossa ilíaca direita, aumento da ecogenicidade da gordura periapendicular (indicando inflamação) e aumento da vascularização ao Doppler (sinal do alvo).

Por que preferir a via videolaparoscópica na apendicectomia?

A via laparoscópica oferece diversas vantagens em relação à técnica aberta (McBurney), incluindo menor dor no pós-operatório, retorno mais rápido às atividades habituais, melhores resultados estéticos e, crucialmente, uma menor taxa de infecção de ferida operatória. Além disso, permite a exploração completa da cavidade abdominal, o que é útil em diagnósticos diferenciais, especialmente em mulheres em idade fértil.

Existe indicação para tratamento clínico com antibióticos?

Embora existam protocolos de tratamento conservador (antibioticoterapia isolada) para apendicite não complicada, a cirurgia permanece o padrão-ouro devido ao risco de recorrência (cerca de 20-30% em um ano) e à possibilidade de progressão para perfuração. O tratamento clínico é geralmente reservado para casos muito selecionados ou quando há contraindicação cirúrgica absoluta.

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