PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026
A questão se refere ao caso abaixo: Você é chamado ao pronto-socorro para avaliar um homem de 25 anos com queixa de dor abdominal iniciada nas 12 horas anteriores. Inicialmente, ele caracterizou a dor como um desconforto periumbilical, mas agora é aguda e se localiza no quadrante inferior direito. Ele refere elevação da temperatura para 38°C, anorexia e náuseas sem vômitos. O paciente nega diarreia, melena e hematoquezia. Seu histórico médico, histórico cirúrgico, histórico social e histórico familiar são todos normais. Ele não toma nenhum medicamento e não tem alergias. O exame físico é normal, exceto por sensibilidade focal à palpação, mais proeminente no Ponto de McBurney. Em relação ao uso de exames de imagem na apendicite aguda, qual das seguintes opções está correta?
Apendicite em homens jovens = Diagnóstico clínico. Imagem se dúvida ou grupos especiais.
O diagnóstico de apendicite aguda é eminentemente clínico em apresentações clássicas. Exames de imagem são ferramentas auxiliares valiosas, mas não obrigatórias em todos os casos.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico no mundo. A fisiopatologia inicia-se com a obstrução da luz apendicular (por fecálitos, hiperplasia linfoide ou neoplasias), levando ao aumento da pressão intraluminal, isquemia e proliferação bacteriana. A migração da dor da região periumbilical para o quadrante inferior direito (Ponto de McBurney) reflete a transição da dor visceral para a dor somática parietal. Historicamente, aceitava-se uma taxa de apendicectomia negativa de até 15-20% para evitar perfurações, mas o uso criterioso da TC reduziu esses índices para menos de 5%. Contudo, o julgamento clínico permanece fundamental para evitar o atraso cirúrgico e o uso excessivo de recursos diagnósticos em casos evidentes.
A tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste é considerada o padrão-ouro, apresentando sensibilidade e especificidade superiores a 95%. Ela é particularmente útil para confirmar o diagnóstico em casos atípicos, identificar complicações (como abscessos) e realizar diagnósticos diferenciais.
Em pacientes masculinos jovens com história clássica (dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas e sinal de Blumberg positivo), o diagnóstico clínico é altamente acurado. Nesses casos, a indicação cirúrgica pode ser feita sem a necessidade de exames de imagem confirmatórios, minimizando custos e radiação.
Em gestantes, a ultrassonografia é o exame inicial devido à ausência de radiação ionizante. Se a USG for inconclusiva, a ressonância magnética (RM) é o próximo passo recomendado. A TC deve ser evitada, especialmente no primeiro trimestre, sendo reservada apenas para situações onde a RM não está disponível e o diagnóstico é crítico.
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