Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Homem de 47 anos com dor em quadrante inferior direito, febre e leucocitose. Tomografia mostra apêndice dilatado com espessamento parietal. Qual conduta é indicada?
Dor em FID + Febre + TC com apêndice dilatado (>6mm) = Apendicectomia.
A apendicite aguda é a principal causa de abdome agudo cirúrgico. O diagnóstico é clínico-radiológico e o tratamento padrão-ouro é a remoção cirúrgica do apêndice.
A apendicite aguda resulta da obstrução da luz apendicular, levando ao aumento da pressão intraluminal, isquemia da mucosa e invasão bacteriana. A apresentação clássica envolve dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita (ponto de McBurney). O diagnóstico é eminentemente clínico, mas a tomografia computadorizada tornou-se uma ferramenta essencial para reduzir taxas de apendicectomia negativa. Uma vez confirmado o diagnóstico de apendicite não complicada, a intervenção cirúrgica deve ser realizada precocemente para prevenir a progressão para gangrena e perfuração, que aumentam significativamente a morbimortalidade do paciente.
Os principais achados na tomografia computadorizada (TC) que corroboram o diagnóstico de apendicite aguda incluem o aumento do diâmetro transverso do apêndice (geralmente > 6 mm), o espessamento das paredes apendiculares, o realce anômalo da parede após contraste, o borramento da gordura periapendicular e, em alguns casos, a presença de um apendicolito (coprólito). A TC possui alta sensibilidade (>95%) e especificidade, sendo o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico em casos duvidosos ou para avaliar complicações como abscessos e perfurações.
A apendicectomia videolaparoscópica é preferida em relação à via aberta (laparotomia) devido a diversos benefícios comprovados: menor dor pós-operatória, menor taxa de infecção de ferida operatória, retorno mais rápido às atividades habituais e melhor resultado estético. Além disso, a laparoscopia permite uma exploração completa da cavidade abdominal, o que é extremamente útil em casos de dúvida diagnóstica (especialmente em mulheres em idade fértil) ou quando há peritonite difusa, facilitando a lavagem da cavidade.
Embora existam estudos discutindo o tratamento conservador com antibioticoterapia isolada para apendicite aguda não complicada, a apendicectomia permanece o padrão-ouro devido ao risco de recorrência (cerca de 25-30% em um ano) e à possibilidade de falha terapêutica inicial. O tratamento conservador é geralmente reservado para casos muito específicos ou quando há contraindicação absoluta à cirurgia. Em casos de plastrão inflamatório ou abscesso bloqueado, pode-se optar pela antibioticoterapia inicial e drenagem percutânea, com apendicectomia eletiva posterior (intervalo).
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