Apendicite Aguda: Diagnóstico Clínico e Conduta

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Paciente masculino, 18 anos; 64 kg. Queixa de dor abdominal tipo cólicas há 2 dias; inicialmente no andar superior do abdome e agora é mais intensa na fossa ilíaca direita. Refere náuseas desde o início; hoje não se alimentou, e apresentou vômitos (3 episódios). Ao exame físico apresenta temperatura axilar de 38,1°C, frequência respiratória de 16 irpm, pressão arterial de 100 x 60 mmHg, FC de 92 bpm, abdome doloroso à palpação na fossa ilíaca direita, já com leve sinal de piora da dor à descompressão brusca local. O exame laboratorial realizado foi um hemograma: Hb: 14,5 (valores de referência: 12,8 – 16,0 g/dL); Plq: 250.000 (valores de referência: 150.000 450.000 / mm³); GB: 15000 (valores de referência: 3600 – 9100 / mm³), bastonetes 10% / segmentados 72% / linfócitos 24% / monócitos 3% / eosinófilos 4% / basófilos 1%. Qual a melhor maneira de prosseguir com a investigação diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Não há indicação de exames complementares adicionais;
  2. B) Ultrassonografia do abdome;
  3. C) Tomografia do abdome;
  4. D) Rx de Tórax, ECG e Tomografia de abdome;
  5. E) Ressonância Nuclear Magnética;

Pérola Clínica

Apendicite aguda clássica → diagnóstico clínico + leucocitose = indicação cirúrgica sem exames adicionais.

Resumo-Chave

Em casos de apendicite aguda com apresentação clínica e laboratorial típica (dor migratória, náuseas/vômitos, febre, dor em FID com descompressão brusca positiva, leucocitose com desvio), a investigação diagnóstica pode ser considerada suficiente para indicação cirúrgica, sem necessidade de exames de imagem adicionais.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, afetando principalmente adolescentes e adultos jovens. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico e tratamento precoces para evitar complicações graves como perfuração e peritonite. A apresentação clássica, embora nem sempre presente, é crucial para o reconhecimento inicial. O diagnóstico da apendicite aguda é primariamente clínico, baseado na história e exame físico. A dor abdominal que se inicia periumbilical e migra para a fossa ilíaca direita (FID), acompanhada de náuseas, vômitos, anorexia e febre, é altamente sugestiva. Ao exame físico, a dor à palpação e o sinal de descompressão brusca (Blumberg) na FID são achados importantes. Exames laboratoriais, como o hemograma, frequentemente revelam leucocitose com desvio à esquerda, reforçando a suspeita inflamatória. A decisão de prosseguir com exames de imagem (ultrassonografia ou tomografia) depende da clareza do quadro clínico. Em apresentações atípicas ou em pacientes com comorbidades, a imagem é fundamental para confirmar o diagnóstico e excluir diferenciais. No entanto, em casos clássicos, como o descrito, a forte suspeita clínica e laboratorial é suficiente para a indicação de avaliação cirúrgica, priorizando a agilidade no manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da apendicite aguda?

Os sinais clássicos incluem dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, náuseas, vômitos, febre baixa, anorexia, dor à palpação e descompressão brusca positiva na FID.

Quando a leucocitose com desvio à esquerda é relevante na apendicite?

A leucocitose (geralmente >10.000) com aumento de bastonetes (desvio à esquerda) é um achado laboratorial comum que reforça a suspeita clínica de processo inflamatório agudo, como a apendicite.

Por que nem sempre é necessário um exame de imagem na apendicite aguda?

Em pacientes com apresentação clínica e laboratorial altamente sugestiva de apendicite, a acurácia diagnóstica é alta, e a realização de exames de imagem pode atrasar a intervenção cirúrgica necessária.

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