Apendicite Aguda em Adolescentes: Diagnóstico e Abordagem

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 13 anos, refere quando de dor tipo cólica, em epigástrio, que migrou para FID, com aumento progressivo de intensidade, associada a náuseas e vômitos. Evolução de 48 horas. Nega febre e diarreia. Refere menarca há cerca de 6 meses, com ciclos regulares. Nega leucorréia. Seu abdome é plano, flácido, doloroso à palpação profunda em FID, com sinais de Blumberg e Rovsing positivos. Sobre o caso acima, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Dados como a idade da paciente, o ciclo menstrual regular e o tempo de evolução do quadro agudo nos permitem afirmar que o tratamento não-cirúrgico com antibioticoterapia pode ser efetivo para o quadro acima.
  2. B) A presença do sinal de Rovsing indica laparotomia exploradora imediata.
  3. C) A abordagem laparoscópica pode ser tanto diagnóstica quanto terapêutica para o caso acima.
  4. D) A ausência de febre exclui o diagnóstico de abdome agudo inflamatório, estando indicada investigação com tomografia computadorizada de abdome.

Pérola Clínica

Apendicite aguda: dor migratória epigástrio → FID + Blumberg/Rovsing + náuseas/vômitos → laparoscopia diagnóstica/terapêutica.

Resumo-Chave

A apendicite aguda é uma causa comum de abdome agudo em adolescentes. A apresentação clássica com dor migratória, náuseas e sinais de irritação peritoneal em FID (Blumberg, Rovsing) sugere fortemente o diagnóstico. A laparoscopia é uma abordagem versátil, permitindo tanto a confirmação diagnóstica quanto o tratamento cirúrgico imediato.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico em crianças e adolescentes, com pico de incidência entre 10 e 19 anos. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves como perfuração e peritonite. A apresentação clínica clássica envolve dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, náuseas, vômitos e anorexia, embora a apresentação possa ser atípica em pacientes mais jovens. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história e exame físico, com sinais como Blumberg (descompressão brusca dolorosa) e Rovsing (dor em FID à palpação de FIE) sendo altamente sugestivos de irritação peritoneal. Exames laboratoriais (leucocitose) e de imagem (ultrassonografia, tomografia) podem auxiliar, mas não devem atrasar a decisão cirúrgica em casos de alta suspeita clínica. A laparoscopia tem se estabelecido como uma ferramenta valiosa, permitindo a confirmação diagnóstica e o tratamento cirúrgico simultaneamente, com menor morbidade e recuperação mais rápida. O tratamento definitivo da apendicite aguda é a apendicectomia. A abordagem laparoscópica é preferida por ser minimamente invasiva, oferecer melhor visualização da cavidade abdominal (útil para diferenciais em mulheres jovens) e resultar em menor dor pós-operatória e tempo de internação. O tratamento não-cirúrgico com antibioticoterapia é reservado para casos muito selecionados de apendicite não complicada ou plastrão apendicular, e não é a conduta padrão para um quadro agudo de 48 horas com sinais de irritação peritoneal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da apendicite aguda em adolescentes?

Os sinais clássicos incluem dor abdominal tipo cólica que migra do epigástrio ou periumbilical para a fossa ilíaca direita, associada a náuseas, vômitos e, frequentemente, sinais de irritação peritoneal como Blumberg e Rovsing positivos.

Por que a laparoscopia é uma abordagem vantajosa na apendicite aguda?

A laparoscopia é vantajosa pois permite a visualização direta da cavidade abdominal para confirmar o diagnóstico (especialmente em casos atípicos ou em mulheres jovens com diferenciais ginecológicos) e realizar a apendicectomia no mesmo procedimento, sendo minimamente invasiva.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais da apendicite aguda em adolescentes do sexo feminino?

Em adolescentes do sexo feminino, os diferenciais incluem adenite mesentérica, cisto ovariano torcido ou roto, doença inflamatória pélvica, infecção do trato urinário e gastroenterite.

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