Apendicite Aguda: Diagnóstico Clínico e Conduta Urgente

Santa Casa de Maceió (AL) — Prova 2023

Enunciado

Jovem, masculino, há 3 dias com hiporexia, náuseas, desconforto epigástrico, queixando-se hoje de piora da dor, mais localizada em fossa ilíaca direita associada a 2 picos de febre aferida. Ao exame físico: bom estado geral, corado, hidratado, eupneico, anictérico. Exame físico cardiopulmonar normal, exceto leve taquicardia. Ruídos abdominais presentes, sem alterações na inspeção, porém com dor a palpação de fossa ilíaca direita. Sinal de Blumberg presente. Foi submetido a exames laboratoriais que resultaram em um escore de Alvarado de 10 pontos. Não há exames de imagem disponível no serviço. A conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Transferência para realizar tomografia de abdome.
  2. B) Cirurgia.
  3. C) Alta com sintomáticos.
  4. D) Anti-inflamatório não hormonal e reavaliação em 48h.

Pérola Clínica

Escore de Alvarado ≥ 7 + Blumberg + dor FID → Alta probabilidade de Apendicite Aguda = Cirurgia.

Resumo-Chave

Um escore de Alvarado de 10 pontos, juntamente com a clínica clássica de dor migratória para fossa ilíaca direita, febre e sinal de Blumberg positivo, indica alta probabilidade de apendicite aguda. Na ausência de exames de imagem, a conduta é cirúrgica devido ao risco de perfuração.

Contexto Educacional

A Apendicite Aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, sendo a inflamação do apêndice vermiforme. Afeta predominantemente jovens e adultos jovens, e seu diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações graves como perfuração, peritonite e formação de abscesso. A apresentação clínica clássica envolve dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita (FID), acompanhada de náuseas, vômitos, anorexia e febre. A fisiopatologia da apendicite geralmente envolve a obstrução da luz apendicular, levando à proliferação bacteriana, inflamação e isquemia. O diagnóstico é primariamente clínico, complementado por exames laboratoriais (leucocitose com desvio à esquerda) e, quando disponíveis, exames de imagem (ultrassonografia ou tomografia de abdome). O escore de Alvarado é uma ferramenta útil para estratificar o risco, onde pontuações elevadas (≥ 7) indicam alta probabilidade. Sinais semiológicos como Blumberg positivo na FID reforçam a suspeita de irritação peritoneal. A conduta para apendicite aguda é a apendicectomia, que pode ser realizada por via laparoscópica ou aberta. Em cenários onde exames de imagem não estão disponíveis, a decisão cirúrgica deve ser baseada na forte suspeita clínica, especialmente em pacientes com escores de Alvarado elevados e sinais de irritação peritoneal. O atraso no tratamento aumenta significativamente o risco de morbidade e mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes do escore de Alvarado e sua relevância?

O escore de Alvarado avalia sintomas (dor migratória, anorexia, náuseas/vômitos), sinais (dor em FID, descompressão brusca positiva, febre) e exames laboratoriais (leucocitose, desvio à esquerda). Um escore ≥ 7 indica alta probabilidade de apendicite.

Qual a importância do sinal de Blumberg na apendicite aguda?

O sinal de Blumberg (dor à descompressão brusca) na fossa ilíaca direita indica irritação peritoneal localizada, sendo um achado clássico e importante para o diagnóstico de apendicite aguda.

Qual a conduta em caso de alta suspeita de apendicite e ausência de exames de imagem?

Em pacientes com alta suspeita clínica de apendicite aguda (ex: escore de Alvarado elevado, clínica clássica), a conduta mais adequada é a indicação cirúrgica (apendicectomia), mesmo na ausência de exames de imagem, para evitar complicações.

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