HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025
Homem, 45 anos, tabagista, com história de dor abdominal difusa há 12 horas, que evoluiu para dor localizada em fossa ilíaca direita. Ao exame físico, apresenta dor à palpação nessa região, defesa muscular e sinal de Blumberg positivo. Não há antecedentes cirúrgicos relevantes. O diagnóstico mais provável é
Dor periumbilical que migra para fossa ilíaca direita (FID) + Blumberg positivo = Apendicite aguda até prova em contrário.
A cronologia da dor (início visceral, difuso/periumbilical, com posterior localização somática em fossa ilíaca direita) é um dado semiológico de alta especificidade para apendicite aguda. A presença de sinais de irritação peritoneal, como defesa e descompressão brusca dolorosa (Blumberg), reforça fortemente o diagnóstico.
A apendicite aguda é a emergência cirúrgica abdominal mais comum, resultante da obstrução do lúmen apendicular seguida de inflamação, isquemia e potencial perfuração. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações como peritonite e abscesso intra-abdominal. A apresentação clínica clássica segue uma cronologia patognomônica. A obstrução luminal causa distensão e estímulo de fibras viscerais, resultando em uma dor mal localizada, periumbilical ou epigástrica, associada a náuseas, vômitos e anorexia. Com a progressão da inflamação, o processo atinge o peritônio parietal, e a dor torna-se somática: intensa, constante e bem localizada na fossa ilíaca direita, no ponto de McBurney. Este fenômeno é conhecido como a migração da dor de Kocher. O exame físico é a pedra angular do diagnóstico. A palpação da fossa ilíaca direita revela dor e, frequentemente, defesa muscular voluntária ou involuntária. Sinais específicos de irritação peritoneal, como o sinal de Blumberg (dor à descompressão brusca), são altamente sugestivos. Embora exames de imagem como ultrassonografia e tomografia computadorizada possam auxiliar em casos duvidosos, um quadro clínico típico em um paciente com baixo risco cirúrgico é muitas vezes suficiente para indicar a abordagem cirúrgica.
O sinal de Blumberg, ou dor à descompressão brusca, é pesquisado na fossa ilíaca direita. Sua presença indica inflamação do peritônio parietal adjacente ao apêndice inflamado, sendo um forte indicativo de apendicite aguda.
A conduta é a avaliação pela equipe de cirurgia geral. O paciente deve ser mantido em jejum, receber hidratação venosa, analgesia e antibioticoprofilaxia. A apendicectomia, seja por via aberta ou laparoscópica, é o tratamento definitivo.
Os diferenciais incluem diverticulite (especialmente de ceco), cólica ureteral direita, gastroenterite, adenite mesentérica e, menos comumente, doença de Crohn em atividade ou perfuração de úlcera duodenal.
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