Apendicite Aguda: Diagnóstico em Paciente Jovem com Dor Abdominal

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente feminina, 18 anos, procurou atendimento em UPA com queixa de dor abdominal em baixo ventre há 2 dias e recebeu antibioticoterapia com ciprofloxacina para infecção do trato urinário. Sem melhora dos sintomas após 3 dias de tratamento, procurou um hospital de referência apresentando piora da dor abdominal, além de náuseas e vômitos. Ao exame físico, a paciente estava descorada (1+/4+), desidratada (2+/4+), afebril ao toque, com abdome tenso e doloroso à palpação em flanco e fossa ilíaca direita, com sinal de Giordano negativo.Exames laboratoriais: Hemoglobina: 12,6 g/dL, Leucócitos: 16.260/mm³, Plaquetas: 260.000/mm³, Creatinina: 1,01 mg/dL, Ureia: 21,8 mg/dL, INR: 1,15, PCR: 23,9 mg/L (VR<1,0).Realizou tomografia computadorizada de abdome com contraste venoso para investigação que apresentou o seguinte achado.Dentre os diagnósticos diferenciais para esse caso, qual dos seguintes é o mais provável?

Alternativas

  1. A) Diverticulite de ceco.
  2. B) Doença inflamatória pélvica (DIP).
  3. C) Torção de cisto ovariano.
  4. D) Apendicite aguda.
  5. E) Infecção urinária complicada com pielonefrite.

Pérola Clínica

Dor FID + náuseas/vômitos + leucocitose + PCR ↑ em jovem = Apendicite aguda até prova em contrário.

Resumo-Chave

A apresentação clínica de dor abdominal em fossa ilíaca direita (FID) com piora progressiva, associada a náuseas, vômitos, leucocitose e PCR elevada, em uma paciente jovem que não respondeu a antibiótico para ITU, é altamente sugestiva de apendicite aguda. O sinal de Giordano negativo afasta pielonefrite como causa principal da dor localizada.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, especialmente em adolescentes e adultos jovens. A sua apresentação clínica pode ser variada, o que torna o diagnóstico um desafio, exigindo um alto índice de suspeição. Para residentes, o domínio do diagnóstico diferencial e da propedêutica é crucial para evitar atrasos no tratamento e complicações graves como a perfuração. A fisiopatologia da apendicite aguda geralmente envolve a obstrução da luz apendicular, mais comumente por um fecalito, levando à proliferação bacteriana, inflamação, isquemia e, se não tratada, perfuração. Os sintomas clássicos incluem dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, anorexia, náuseas e vômitos. O exame físico revela dor à palpação em FID e sinais de irritação peritoneal. Exames laboratoriais frequentemente mostram leucocitose com desvio à esquerda e PCR elevada. O diagnóstico é primariamente clínico, mas exames de imagem como a ultrassonografia e, principalmente, a tomografia computadorizada de abdome com contraste são fundamentais para confirmar a inflamação apendicular e excluir outros diagnósticos diferenciais. O tratamento padrão é a apendicectomia, que pode ser realizada por via laparoscópica ou aberta. A identificação precoce e a intervenção cirúrgica são essenciais para prevenir a progressão para peritonite e outras complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da apendicite aguda?

Os sinais e sintomas clássicos da apendicite aguda incluem dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita, náuseas, vômitos, anorexia, febre baixa, dor à descompressão (sinal de Blumberg) e defesa abdominal.

Como a tomografia computadorizada auxilia no diagnóstico de apendicite?

A tomografia computadorizada de abdome com contraste é o exame de imagem de escolha para confirmar apendicite, mostrando um apêndice dilatado (>6mm), com paredes espessadas, inflamação da gordura periapendicular e, por vezes, apendicolito.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais de dor em fossa ilíaca direita em mulheres jovens?

Os principais diagnósticos diferenciais incluem apendicite aguda, doença inflamatória pélvica (DIP), torção de cisto ovariano, gravidez ectópica, cistite, pielonefrite e gastroenterite.

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