HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2026
Homem de 24 anos apresenta dor abdominal difusa há 24 horas, que migrou para fossa ilíaca direita. Relata febre baixa e anorexia. Ao exame: dor intensa à palpação profunda em FID, defesa muscular e sinal de Blumberg positivo. Leucócitos: 15.000/mm³ . Ultrassonografia: apêndice não compressível, medindo 10 mm, com líquido periapendicular. Qual é a conduta a ser seguida nesse caso?
Dor migratória + Blumberg + Apêndice > 6mm na USG = Apendicite Aguda.
A apendicite aguda é um diagnóstico clínico-cirúrgico; a presença de dor migratória e sinais de irritação peritoneal em jovens indica apendicectomia, preferencialmente laparoscópica.
A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico no mundo. Sua fisiopatologia inicia-se geralmente pela obstrução da luz apendicular por fecalitos, hiperplasia linfoide ou parasitas, levando ao aumento da pressão intraluminal, isquemia da mucosa e proliferação bacteriana. A dor migratória clássica reflete a transição da dor visceral (periumbilical) para a dor somática (fossa ilíaca direita) à medida que o peritônio parietal é envolvido pelo processo inflamatório. O diagnóstico baseia-se fortemente no exame físico, onde sinais como Blumberg, Rovsing e psoas possuem alta especificidade. Exames de imagem como a ultrassonografia e a tomografia computadorizada são ferramentas valiosas, especialmente em casos atípicos, permitindo visualizar o espessamento do apêndice, densificação da gordura periapendicular e presença de coleções. O tratamento padrão-ouro é a apendicectomia, preferencialmente por via laparoscópica, que oferece menor dor pós-operatória e recuperação mais rápida.
O diagnóstico da apendicite aguda é primariamente clínico. A apresentação clássica envolve dor periumbilical que migra para a fossa ilíaca direita (ponto de McBurney), acompanhada de anorexia, náuseas e febre baixa. Sinais de irritação peritoneal, como o sinal de Blumberg (descompressão dolorosa), reforçam a suspeita. Exames laboratoriais costumam mostrar leucocitose com desvio à esquerda e elevação de PCR. Em casos de dúvida diagnóstica ou em populações específicas (mulheres em idade fértil, idosos e crianças), exames de imagem são indicados. A ultrassonografia é útil para identificar um apêndice não compressível com diâmetro superior a 6 mm e líquido periapendicular. A tomografia computadorizada, no entanto, permanece como o padrão-ouro devido à sua alta sensibilidade e especificidade.
A apendicectomia laparoscópica tornou-se o padrão-ouro no tratamento da apendicite aguda. Em comparação com a via aberta (incisão de McBurney), a laparoscopia oferece diversas vantagens: menor dor no pós-operatório, menor taxa de infecção de ferida operatória, retorno mais rápido às atividades habituais e melhor resultado estético. Além disso, a laparoscopia permite a exploração completa da cavidade abdominal, o que é fundamental em casos de dúvida diagnóstica (especialmente em mulheres, para avaliar diagnósticos diferenciais ginecológicos) ou em casos de apendicite complicada com peritonite difusa, facilitando a lavagem exaustiva da cavidade peritoneal.
Embora a cirurgia seja o tratamento definitivo, o manejo conservador com antibióticos pode ser considerado em situações muito específicas. Em pacientes com apendicite complicada apresentando plastrão ou abscesso bloqueado (geralmente com mais de 5 dias de evolução), a conduta inicial costuma ser antibioticoterapia venosa e, se necessário, drenagem percutânea da coleção. A cirurgia imediata nesses casos é tecnicamente difícil e associada a maior morbidade. Após a resolução do quadro inflamatório agudo (após 6 a 8 semanas), a apendicectomia de intervalo pode ser discutida, embora não seja mais obrigatória para todos os pacientes, dependendo da recorrência dos sintomas e da idade.
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