Apendicite Aguda: Diagnóstico Clínico e Conduta Cirúrgica

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Homem, 24 anos, previamente saudável, refere dor periumbilical há 12 horas que migrou para fossa ilíaca direita, acompanhada de anorexia, náuseas e febre (37,8°C). À inspeção: dor à palpação e defesa localizada em FID, sinal de Blumberg positivo. Leucócitos 18.500/mm³ com desvio à esquerda; PCR levemente elevada. Qual a conduta mais adequada nesse cenário?

Alternativas

  1. A) Internar, analgesia e observar 48 horas antes de decidir cirurgia.
  2. B) Solicitar TC abdomino pélvico com contraste e operar somente se confirmado por imagem.
  3. C) Realizar apendicectomia laparoscópica sem necessidade de exame de imagem adicional.
  4. D) Iniciar antibioticoterapia e programar apendicectomia eletiva em 2 – 4 semanas.

Pérola Clínica

Dor periumbilical → FID + Blumberg+ + Leucocitose em homem jovem = Apendicectomia (clínico).

Resumo-Chave

Em homens jovens com quadro clínico clássico de apendicite, o diagnóstico é eminentemente clínico, permitindo a indicação cirúrgica imediata sem necessidade de exames de imagem confirmatórios.

Contexto Educacional

A apendicite aguda é a causa mais comum de abdome agudo cirúrgico. A fisiopatologia envolve a obstrução do lúmen apendicular, levando à proliferação bacteriana e isquemia. A apresentação clássica inicia com dor visceral periumbilical que se torna somática e localizada na fossa ilíaca direita após o envolvimento do peritônio parietal. O sinal de Blumberg (descompressão dolorosa) é o marcador clínico de peritonite localizada. O diagnóstico em homens jovens com história típica e leucocitose é clínico. Exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia são reservados para casos duvidosos. O tratamento definitivo é a apendicectomia, preferencialmente por via laparoscópica, visando prevenir complicações como perfuração, abscesso e peritonite generalizada.

Perguntas Frequentes

Quando a imagem é obrigatória na apendicite?

A imagem (preferencialmente TC de abdome) é indicada em casos de dúvida diagnóstica, apresentações atípicas, pacientes idosos, obesos ou mulheres em idade fértil para excluir diagnósticos diferenciais ginecológicos. Em homens jovens com tríade clássica de dor migratória, irritação peritoneal e leucocitose, o diagnóstico clínico é suficiente para a conduta cirúrgica.

Qual o papel do Escore de Alvarado?

O Escore de Alvarado auxilia na estratificação de risco. Pontuações ≥ 7 indicam alta probabilidade de apendicite, corroborando a decisão cirúrgica. Ele avalia sintomas (migração da dor, anorexia, náuseas), sinais (dor em FID, descompressão dolorosa, febre) e laboratório (leucocitose, desvio à esquerda).

Por que a laparoscopia é preferível?

A apendicectomia laparoscópica oferece vantagens como menor dor pós-operatória, retorno mais rápido às atividades, melhores resultados estéticos e menor taxa de infecção de ferida operatória, sendo o padrão-ouro especialmente em obesos e quando o diagnóstico é incerto.

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