UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020
Paciente feminina, 19 anos, com obesidade grau I, dor intermitente em fossa ilíaca direita há 36 h, nega anorexia/hiporexia, nega febre, sem alterações do trânsito intestinal, DUM há 5 dias, nega corrimentos ou dispareunia, hemograma e PCR normais e os seguintes achados tomográficos: Apêndice em topografia usual, com aproximadamente 6 cm de comprimento e 0,5 cm de largura, com fecalito no interior de sua luz, ausência de borramento da gordura periapendicular, sem infiltrado do meso-apêndice. Qual o diagnóstico provável e conduta?
Fecalito + apêndice normal na TC, sem sinais inflamatórios periapendiculares → Cólica Apendicular. Conduta: analgesia e investigação ambulatorial.
A presença de fecalito no apêndice é um achado comum e não patognomônico de apendicite aguda. Na ausência de sinais inflamatórios na tomografia (borramento da gordura periapendicular, infiltrado do meso-apêndice) e com exames laboratoriais normais, o diagnóstico de cólica apendicular é mais provável, indicando manejo conservador e investigação ambulatorial.
A apendicite aguda é uma das causas mais comuns de abdome agudo cirúrgico, sendo crucial o diagnóstico preciso para evitar morbidade. No entanto, nem toda dor em fossa ilíaca direita ou achado de fecalito no apêndice na tomografia computadorizada (TC) significa apendicite aguda. A epidemiologia mostra que a apendicite é mais comum em adolescentes e adultos jovens, mas pode ocorrer em qualquer idade. A fisiopatologia da apendicite aguda geralmente envolve a obstrução da luz apendicular, frequentemente por um fecalito, levando à proliferação bacteriana, inflamação e isquemia. O diagnóstico é clínico, laboratorial e de imagem. A TC é o exame de imagem de escolha, buscando sinais como espessamento da parede apendicular, borramento da gordura periapendicular e líquido livre. A ausência desses sinais inflamatórios, mesmo com um fecalito, sugere um diagnóstico alternativo como cólica apendicular. O tratamento da apendicite aguda é cirúrgico (apendicectomia). Contudo, em casos de cólica apendicular, onde não há inflamação ativa, a conduta é conservadora, com analgesia e acompanhamento ambulatorial. É vital para residentes e estudantes de medicina saber diferenciar essas condições para evitar cirurgias desnecessárias e otimizar o manejo do paciente, considerando o prognóstico favorável da cólica apendicular.
Os achados cruciais incluem o aumento do diâmetro apendicular (>6mm), espessamento da parede apendicular, borramento da gordura periapendicular, presença de apendicolito (fecalito) e, em casos mais avançados, abscesso ou perfuração.
A cólica apendicular apresenta dor em fossa ilíaca direita, mas sem os sinais inflamatórios sistêmicos (febre, leucocitose, PCR elevada) e sem os achados tomográficos de inflamação periapendicular, mesmo com a presença de um fecalito.
A conduta inicial envolve analgesia, observação e orientação. Se os sintomas persistirem ou piorarem, uma reavaliação e investigação mais aprofundada (ambulatorial) são indicadas.
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