SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Um paciente de 14 anos de idade, sem comorbidades, dá entrada na sala de emergência com rebaixamento do nível de consciência. A monitorização revelou FC = 120 bpm, PA = 78 mmHg x 50 mmHg, FR = 46 irpm, SpO2 = 93%, glicemia capilar = 102 mg/dL. A mãe do paciente conta que o adolescente apresentava dor abdominal há cinco dias, inicialmente ao redor do umbigo, associada a vômitos, inapetência e picos febris não aferidos. Ao exame, está sonolento, mas responsivo aos chamados, com abdome tenso e descompressão brusca dolorosa. Relata ter comido um hambúrguer com maionese um dia antes do início dos sintomas e os atribuiu a tal fato. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir. A infecção de ferida operatória é complicação comum após o tratamento cirúrgico adequado da doença apresentada por esse paciente.
Apendicite perfurada com peritonite → maior risco de complicações pós-operatórias, incluindo infecção de ferida.
A apendicite aguda perfurada, especialmente quando associada a peritonite e choque séptico, aumenta significativamente o risco de infecção de ferida operatória e outras complicações pós-cirúrgicas. O tratamento cirúrgico adequado nesses casos visa controlar a fonte de infecção e minimizar a contaminação.
A apendicite aguda é uma das emergências cirúrgicas abdominais mais comuns, especialmente em adolescentes. Sua progressão pode levar à perfuração, peritonite e, em casos graves, choque séptico, como o descrito no caso. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações. Quando a apendicite perfura, há extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade peritoneal, resultando em peritonite. Nesses casos, o risco de infecção de ferida operatória pós-apendicectomia é significativamente elevado devido à contaminação bacteriana da cavidade abdominal e, consequentemente, da incisão cirúrgica. Embora o tratamento cirúrgico adequado minimize os riscos, a infecção de ferida operatória ainda é uma complicação reconhecida e comum em apendicites complicadas, mesmo com as melhores práticas. Para residentes, é fundamental entender que, apesar de um tratamento cirúrgico ser considerado 'adequado', a complexidade de um quadro de apendicite perfurada com peritonite e choque inerentemente eleva a classificação de risco cirúrgico e de infecção. Portanto, a vigilância para complicações infecciosas pós-operatórias é sempre necessária.
Sinais de apendicite aguda complicada incluem dor abdominal difusa, sinais de peritonite (descompressão brusca dolorosa generalizada, rigidez), febre alta, taquicardia, hipotensão e rebaixamento do nível de consciência, indicando sepse ou choque.
A perfuração do apêndice libera conteúdo fecal e bactérias na cavidade peritoneal, causando peritonite. Durante a cirurgia, há maior contaminação da ferida operatória com esses patógenos, aumentando o risco de infecção local.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica (fluidos IV, vasopressores se necessário), oxigenoterapia, antibioticoterapia de amplo espectro e preparação urgente para laparotomia exploratória para controle da fonte de infecção.
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