Ânus Imperfurado em RN: Diagnóstico e Manejo Cirúrgico

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2022

Enunciado

Na UTI neonatal foi solicitada a avaliação cirúrgica de um recém-nascido, do sexo feminino que não apresenta eliminação de mecônio desde o seu nascimento há 18 horas. Foi diagnosticado que o recém-nascido tem ânus imperfurado. Frente a esse diagnóstico clínico,  podemos confirmar a veracidade das alternativas, exceto:

Alternativas

  1. A) As fístulas obstrutivas perineais podem ser tratadas com anoplastia.
  2. B) É recomendável decidir sobre a realização de colostomia ou reparo primário nas primeiras 24 horas de vida.
  3. C) A presença de mecônio na urina define o diagnóstico de fístula retouretral.
  4. D) A colostomia está indicada nos casos cujo exame físico revela falta da impressão anal e gás acima do cóccix à radiografia.
  5. E) É mandatório a investigação de outras malformações associadas.

Pérola Clínica

Decisão de colostomia ou reparo primário em ânus imperfurado depende da avaliação da malformação, não de um prazo fixo de 24h.

Resumo-Chave

O manejo do ânus imperfurado é guiado pela classificação da malformação (alta ou baixa) e pela presença de fístulas. A decisão entre colostomia e anoplastia primária não é baseada em um prazo de 24 horas, mas sim na avaliação clínica e radiológica completa do recém-nascido.

Contexto Educacional

O ânus imperfurado, ou malformação anorretal, é uma anomalia congênita que se manifesta pela ausência de eliminação de mecônio nas primeiras 24-48 horas de vida. É uma condição cirúrgica pediátrica importante, com uma incidência de aproximadamente 1 em cada 5.000 nascidos vivos. O manejo precoce é crucial para evitar complicações e garantir um bom prognóstico funcional. O diagnóstico inicial é clínico, mas a avaliação da extensão da malformação e a presença de fístulas (retoperineal, retouretral, retovaginal) são essenciais para guiar o tratamento. A radiografia invertida e a ultrassonografia pélvica são exames complementares importantes. A presença de mecônio na urina é patognomônica de fístula retouretral em meninos ou retovaginal em meninas. O tratamento varia de uma anoplastia primária para malformações baixas com fístulas perineais, a uma colostomia descompressiva seguida de uma cirurgia definitiva (anoretocoloplastia sagital posterior) para malformações altas. A investigação de outras malformações associadas, como as da associação VACTERL, é mandatório. Residentes devem estar aptos a reconhecer a condição, iniciar a investigação e compreender os princípios do manejo cirúrgico e pós-operatório.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de ânus imperfurado e suas fístulas?

O diagnóstico é clínico, pela ausência de orifício anal. A presença de mecônio na urina ou na vagina indica uma fístula. Exames de imagem como radiografia invertida e ultrassonografia podem auxiliar na classificação da malformação (alta ou baixa).

Quais malformações estão frequentemente associadas ao ânus imperfurado?

O ânus imperfurado faz parte da associação VACTERL, que inclui malformações vertebrais, anorretais, cardíacas, traqueoesofágicas, renais e de membros. A investigação dessas anomalias é mandatório em todos os casos.

Quando a colostomia é indicada no tratamento do ânus imperfurado?

A colostomia é indicada para malformações anorretais altas (quando o reto termina acima do músculo elevador do ânus), na presença de fístulas complexas, ou quando não é possível realizar uma anoplastia primária segura.

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