UFSM/HUSM - Hospital Universitário de Santa Maria (RS) — Prova 2016
Analise as afirmativas a seguir sobre o processo saúde-doença e a aplicação da Antropologia em Atenção Primária em Saúde:I – A compreensão da perspectiva da pessoa que busca atendimento médico e de seu contexto é elemento essencial na prática médica, e deve ser abordada através do entendimento dos sentimentos da pessoa em relação à doença, de suas ideias sobre o que está acontecendo com ela, da maneira em que a doença está afetando seu funcionamento e de suas expectativas em relação ao médico, à consulta e ao tratamento;II – Em Atenção Primária à Saúde, são comuns os diagnósticos de infecções, principalmente de infecções do trato respiratório; além de hipertensão, diabetes, depressão e ansiedade; e são incomuns os atendimentos por doenças como câncer;III – A multimorbidade, entendida como a ocorrência simultânea de várias condições médicas na mesma pessoa, não é levada em consideração nas diretrizes para a prática clínica, que geralmente se concentram em uma doença por vez e excluem participantes com multimorbidade, levantando dúvidas quanto à aplicabilidade dessas diretrizes na Atenção Primária em Saúde;IV – O comportamento com a experiência com a doença de um indivíduo determina se ele assumirá ou não o papel de doente e se procurará ou não um atendimento em saúde;V – Há diferenças entre os conceitos de disease e illness: ilness (ou doença) refere-se a sinais, sintomas e alterações em exames, enquanto disease (ou experiência da doença) refere-se ao sofrimento da pessoa, representado por queixas, problemas e disfunções.Estão corretas:
Na APS, a compreensão holística do paciente, a multimorbidade e a distinção entre disease/illness são cruciais, e o comportamento de busca por saúde é influenciado pela experiência da doença.
A Atenção Primária à Saúde (APS) exige uma abordagem centrada na pessoa, onde a compreensão da perspectiva do paciente (I) e a gestão da multimorbidade (III) são essenciais. Os diagnósticos mais comuns na APS são de fato condições crônicas e infecções agudas, com câncer sendo menos frequente (II). O comportamento de busca por atendimento é moldado pela experiência individual da doença (IV). A afirmativa V inverte os conceitos de 'disease' e 'illness'.
A Antropologia da Saúde oferece ferramentas valiosas para a Atenção Primária em Saúde (APS), permitindo uma compreensão mais profunda do processo saúde-doença para além da dimensão puramente biomédica. A APS, por sua natureza longitudinal e abrangente, exige que os profissionais considerem o contexto sociocultural, as crenças e as experiências individuais dos pacientes. A abordagem centrada na pessoa, um pilar da APS, enfatiza a importância de entender os sentimentos, ideias, impacto funcional e expectativas do paciente em relação à sua condição de saúde (afirmativa I). Além disso, a APS lida predominantemente com condições crônicas como hipertensão e diabetes, infecções comuns e problemas de saúde mental, sendo menos frequente o diagnóstico inicial de câncer (afirmativa II). A multimorbidade, a coexistência de múltiplas condições de saúde em um mesmo indivíduo, é uma realidade na APS e frequentemente não é adequadamente contemplada pelas diretrizes clínicas tradicionais, que se focam em doenças isoladas (afirmativa III). Por fim, o comportamento de busca por atendimento e a adesão ao tratamento são fortemente influenciados pela forma como o indivíduo percebe e vivencia sua doença (afirmativa IV). A distinção entre 'disease' (patologia biológica) e 'illness' (experiência subjetiva da doença) é um conceito antropológico fundamental, e a afirmativa V inverte esses termos.
'Disease' refere-se à dimensão biológica e objetiva da doença, ou seja, a patologia diagnosticável por sinais, sintomas e exames. 'Illness' refere-se à experiência subjetiva do indivíduo com a doença, incluindo seus sentimentos, percepções, sofrimento e como ela afeta sua vida.
As diretrizes clínicas são frequentemente desenvolvidas para doenças isoladas, baseadas em estudos com pacientes sem multimorbidade. Isso dificulta sua aplicação em pacientes da APS, que frequentemente apresentam múltiplas condições crônicas, exigindo uma abordagem mais integrada e individualizada.
A compreensão da perspectiva do paciente, incluindo suas crenças sobre a doença, suas expectativas e o impacto em sua vida, é fundamental para estabelecer uma relação terapêutica eficaz, promover a adesão ao tratamento e oferecer um cuidado mais humano e centrado na pessoa.
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