Antraz (Carbúnculo): Diagnóstico e Risco Ocupacional

HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino, 35 anos, transportador de carcaças de animais, chega no consultório com queixa dermatológica, com uma mácula pruriginosa e avermelhada na pele, além de queixas gastrointestinais. Relata trabalhar todos os dias com carcaças de animais, transportando-as entre as lojas de couro e os fornecedores. Refere que a lesão na pele surgiu há dois dias, antes dos sintomas gastrointestinais. Em relação ao caso descrito, é CORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) Por mais que seja uma doença profissional, o paciente não tem os mesmos direitos e benefícios da legislação pertinente ao acidente de trabalho, pois somente a doença ocupacional usufrui desses direitos e benefícios.
  2. B) Os sintomas do paciente levam a acreditar que ele pode estar com a patologia de Weil (leptospirose), pois as queixas relatadas são os principais sintomas dessa doença e o meio de transmissão mais comum é pelos esporos do microrganismo, presentes nas carcaças dos animais.
  3. C) O paciente está com uma doença profissional chamada de brucelose, extremamente maligna, cuja forma de transmissão mais comum é pelos esporos do microrganismo cocobacilo, presentes em animais caprinos e ovinos.
  4. D) A hipótese diagnóstica mais provável para o paciente é de uma doença ocupacional causada pela contaminação por carbúnculo, microrganismo aeróbico esporulado, encontrado nas carcaças de ovinos e caprinos, e a evolução da forma interna dessa patologia é quase sempre letal.

Pérola Clínica

Antraz cutâneo → pápula pruriginosa → úlcera necrótica. Exposição ocupacional a carcaças animais = suspeitar de carbúnculo.

Resumo-Chave

O antraz, ou carbúnculo, é uma zoonose causada pelo Bacillus anthracis, comum em trabalhadores que manipulam produtos de origem animal. A forma cutânea é a mais comum, mas a inalação ou ingestão de esporos pode levar a formas sistêmicas graves, como a gastrointestinal, que possui alta letalidade.

Contexto Educacional

O antraz, também conhecido como carbúnculo, é uma zoonose grave causada pela bactéria Bacillus anthracis, um bacilo gram-positivo esporulado. É uma doença de importância histórica e atual, especialmente em contextos de bioterrorismo e em regiões com manejo inadequado de rebanhos. A epidemiologia está fortemente ligada à exposição ocupacional, afetando trabalhadores rurais, veterinários, açougueiros e aqueles que manipulam couros, lãs ou carcaças de animais infectados. A fisiopatologia envolve a entrada dos esporos no organismo, que germinam e produzem toxinas. A forma cutânea, a mais comum, manifesta-se por uma lesão característica que evolui de pápula pruriginosa para úlcera necrótica com escara preta. A forma gastrointestinal, menos comum, resulta da ingestão de carne contaminada e pode causar dor abdominal, vômitos, diarreia sanguinolenta e ascite, com alta taxa de mortalidade. O diagnóstico é clínico-epidemiológico e laboratorial, com cultura e PCR. O tratamento precoce com antibióticos (ciprofloxacino, doxiciclina) é crucial para todas as formas da doença. A forma cutânea tem bom prognóstico com tratamento, mas as formas sistêmicas (pulmonar, gastrointestinal e meníngea) são frequentemente letais, mesmo com terapia intensiva. A prevenção envolve vacinação de animais, manejo seguro de carcaças e uso de equipamentos de proteção individual para trabalhadores de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas do antraz cutâneo?

O antraz cutâneo inicia-se como uma pápula pruriginosa que evolui para uma vesícula e, posteriormente, para uma úlcera necrótica com escara preta, rodeada por edema e vesículas satélites.

Como ocorre a transmissão do antraz em humanos?

A transmissão em humanos ocorre principalmente pelo contato cutâneo com esporos de Bacillus anthracis (forma cutânea), inalação (forma pulmonar) ou ingestão (forma gastrointestinal) de produtos contaminados de animais infectados.

Qual a letalidade das formas sistêmicas do antraz?

As formas sistêmicas do antraz, como a pulmonar e a gastrointestinal, são extremamente graves e possuem alta letalidade se não tratadas precocemente, podendo chegar a 80-90% mesmo com tratamento.

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