INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017
Um homem com 33 anos de idade, com diagnóstico de esquizofrenia há 8 anos, em tratamento regular no Centro de Atenção Psicossocial, faz uso de quetiapina 600 mg/dia e encontra-se estável em relação aos sintomas psiquiátricos. Ele comparece à Unidade de Saúde da Família para reavaliação periódica; refere ganho de peso de 1,5 kg em 3 semanas, polifagia e polidipsia sem outros sintomas. Em face desse caso, qual deve ser a conduta adotada?
Antipsicóticos atípicos (Quetiapina) → ↑ Risco de síndrome metabólica e Diabetes Mellitus.
Pacientes em uso de antipsicóticos de segunda geração devem ter monitoramento rigoroso de peso e glicemia devido ao alto risco de complicações metabólicas graves.
O manejo de pacientes com transtornos mentais graves exige uma abordagem integrada entre a psiquiatria e a atenção primária. Os antipsicóticos de segunda geração (ASG), embora eficazes para sintomas positivos e negativos da esquizofrenia, possuem um perfil de efeitos colaterais metabólicos que pode reduzir a expectativa de vida do paciente devido a doenças cardiovasculares. No caso apresentado, os sintomas de polifagia, polidipsia e ganho de peso em um paciente estável psiquiatricamente são sinais de alerta para o desenvolvimento de Diabetes Mellitus ou intolerância à glicose. A conduta imediata deve ser a investigação laboratorial. O médico deve estar preparado para ajustar a medicação, introduzir hipoglicemiantes se necessário e reforçar mudanças no estilo de vida, garantindo que o controle da esquizofrenia não ocorra às custas da saúde metabólica.
A quetiapina, um antipsicótico de segunda geração, possui afinidade por receptores histaminérgicos (H1) e serotoninérgicos (5-HT2C), o que estimula o apetite e reduz o gasto energético. Além disso, esses fármacos podem interferir diretamente na sinalização da insulina e na função das células beta pancreáticas, levando à resistência insulínica e diabetes mellitus tipo 2.
O protocolo padrão inclui a aferição do peso e índice de massa corporal (IMC) em todas as consultas, além da solicitação de glicemia de jejum, hemoglobina glicada e perfil lipídico completo (colesterol total, frações e triglicerídeos) no início do tratamento, após 12 semanas e, posteriormente, anualmente ou com maior frequência se houver ganho de peso significativo.
A polidipsia psicogênica é comum na esquizofrenia e cursa com hiponatremia dilucional. Já a polidipsia no diabetes mellitus é secundária à diurese osmótica pela hiperglicemia. No caso clínico, o ganho de peso rápido e a polifagia associados ao uso de quetiapina apontam fortemente para uma etiologia metabólica medicamentosa, exigindo avaliação imediata da glicemia.
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