Manejo Metabólico em Pacientes Usando Quetiapina

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Um homem com 33 anos de idade, com diagnóstico de esquizofrenia há 8 anos, em tratamento regular no Centro de Atenção Psicossocial, faz uso de quetiapina 600 mg/dia e encontra-se estável em relação aos sintomas psiquiátricos. Ele comparece à Unidade de Saúde da Família para reavaliação periódica; refere ganho de peso de 1,5 kg em 3 semanas, polifagia e polidipsia sem outros sintomas. Em face desse caso, qual deve ser a conduta adotada?

Alternativas

  1. A) Referenciar o caso à atenção especializada para investigação adicional e manejo adequado do quadro clínico atual.
  2. B) Encaminhar o paciente para internação, considerada recurso terapêutico e instrumento do Projeto Terapêutico Singular
  3. C) Aumentar a dose de quetiapina para 800 mg/dia, considerando-se interações medicamentosas, para otimização do tratamento.
  4. D) Avaliar glicemia em virtude do risco de complicações metabólicas decorrentes do controle do quadro glicêmico em função do tratamento medicamentoso para esquizofrenia.

Pérola Clínica

Antipsicóticos atípicos (Quetiapina) → ↑ Risco de síndrome metabólica e Diabetes Mellitus.

Resumo-Chave

Pacientes em uso de antipsicóticos de segunda geração devem ter monitoramento rigoroso de peso e glicemia devido ao alto risco de complicações metabólicas graves.

Contexto Educacional

O manejo de pacientes com transtornos mentais graves exige uma abordagem integrada entre a psiquiatria e a atenção primária. Os antipsicóticos de segunda geração (ASG), embora eficazes para sintomas positivos e negativos da esquizofrenia, possuem um perfil de efeitos colaterais metabólicos que pode reduzir a expectativa de vida do paciente devido a doenças cardiovasculares. No caso apresentado, os sintomas de polifagia, polidipsia e ganho de peso em um paciente estável psiquiatricamente são sinais de alerta para o desenvolvimento de Diabetes Mellitus ou intolerância à glicose. A conduta imediata deve ser a investigação laboratorial. O médico deve estar preparado para ajustar a medicação, introduzir hipoglicemiantes se necessário e reforçar mudanças no estilo de vida, garantindo que o controle da esquizofrenia não ocorra às custas da saúde metabólica.

Perguntas Frequentes

Por que a quetiapina causa ganho de peso e hiperglicemia?

A quetiapina, um antipsicótico de segunda geração, possui afinidade por receptores histaminérgicos (H1) e serotoninérgicos (5-HT2C), o que estimula o apetite e reduz o gasto energético. Além disso, esses fármacos podem interferir diretamente na sinalização da insulina e na função das células beta pancreáticas, levando à resistência insulínica e diabetes mellitus tipo 2.

Quais exames solicitar no seguimento de pacientes com antipsicóticos?

O protocolo padrão inclui a aferição do peso e índice de massa corporal (IMC) em todas as consultas, além da solicitação de glicemia de jejum, hemoglobina glicada e perfil lipídico completo (colesterol total, frações e triglicerídeos) no início do tratamento, após 12 semanas e, posteriormente, anualmente ou com maior frequência se houver ganho de peso significativo.

Como diferenciar polidipsia psicogênica de diabetes mellitus?

A polidipsia psicogênica é comum na esquizofrenia e cursa com hiponatremia dilucional. Já a polidipsia no diabetes mellitus é secundária à diurese osmótica pela hiperglicemia. No caso clínico, o ganho de peso rápido e a polifagia associados ao uso de quetiapina apontam fortemente para uma etiologia metabólica medicamentosa, exigindo avaliação imediata da glicemia.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo