Uso de Antifibróticos em Cirurgia de Glaucoma: MMC vs 5-FU

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017

Enunciado

Assinale a alternativa correta em relação ao uso dos antifibróticos na cirurgia de glaucoma.

Alternativas

  1. A) Defeito epitelial corneano não está relacionado ao uso de 5-fluorouracil.
  2. B) Mitomicina-c deve ser utilizada na dose de 0,1 mi na concentração de 0,03 a 0,04 mg/ml a cada 12 horas, até o quinto dia pós-operatório.
  3. C) Os corticosteróides devem ser evitados no período pós-operatório, pelo risco de glaucoma corticogênico.
  4. D) Hipotonia é a complicação mais comum nos pacientes que fizeram uso de mitomicina-c, do que nos que fizeram uso de 5-fluorouracil.

Pérola Clínica

Mitomicina-C → ↑ risco de hipotonia e ampolas avasculares em comparação ao 5-FU.

Resumo-Chave

Antifibróticos são usados para inibir a proliferação de fibroblastos na trabeculectomia; a Mitomicina-C é mais potente e persistente que o 5-FU.

Contexto Educacional

A modulação da cicatrização é o pilar do sucesso da cirurgia filtrante (trabeculectomia). Sem o uso de agentes antifibróticos, a proliferação fibroblástica no espaço subconjuntival frequentemente leva à falência da ampola e retorno da pressão intraocular elevada. A escolha entre Mitomicina-C e 5-FU depende do perfil de risco do paciente (ex: cirurgias prévias, glaucoma neovascular, raça). A MMC tornou-se o padrão-ouro devido à sua eficácia superior, apesar do perfil de segurança exigir maior cautela quanto à hipotonia e endoftalmite tardia relacionada à ampola.

Perguntas Frequentes

Por que a Mitomicina-C causa mais hipotonia que o 5-FU?

A Mitomicina-C (MMC) é um agente alquilante potente que inibe a síntese de DNA e a proliferação de fibroblastos de forma irreversível e prolongada. Sua ação resulta em uma ampola filtrante mais fina, avascular e isquêmica, o que aumenta significativamente o risco de hipotonia crônica e vazamentos (Seidel positivo). O 5-Fluorouracil (5-FU) é um antimetabólito que age especificamente na fase S do ciclo celular, tendo um efeito menos potente e uma duração de ação mais curta, o que geralmente resulta em ampolas mais espessas e menor incidência de hipotonia severa.

Quais as principais complicações do 5-FU na córnea?

O 5-Fluorouracil é conhecido por sua toxicidade epitelial significativa. O uso de injeções subconjuntivais de 5-FU no pós-operatório está frequentemente associado a defeitos epiteliais corneanos persistentes, ceratite ponteada superficial e, em casos graves, ulcerações. Isso ocorre porque o fármaco interfere na divisão celular das células basais do epitélio corneano. Por esse motivo, o acompanhamento rigoroso da superfície ocular é necessário quando se opta pelo uso seriado de 5-FU.

Como é administrada a Mitomicina-C na trabeculectomia?

Diferente do 5-FU, que pode ser feito em injeções pós-operatórias, a Mitomicina-C é tipicamente aplicada de forma intraoperatória. Esponjas embebidas em concentrações que variam geralmente de 0,2 mg/ml a 0,5 mg/ml são colocadas sob o retalho escleral ou sob a conjuntiva por um período de 1 a 5 minutos, seguido de lavagem abundante com soro fisiológico. A dose e o tempo de exposição são individualizados com base no risco de falha da cirurgia e nas características do paciente.

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