SMA Volta Redonda - Secretaria Municipal de Saúde (RJ) — Prova 2020
Como a antiestreptolisina O (ASO) deve ser interpretada no contexto do diagnóstico da febre reumática (FR)?
ASO ↑ não indica infecção estreptocócica recente; níveis podem persistir elevados por meses/anos.
A antiestreptolisina O (ASO) é um marcador de infecção prévia por Streptococcus pyogenes, mas seus níveis podem permanecer elevados por meses ou até anos após a infecção aguda. Portanto, um título alto de ASO não necessariamente indica uma infecção estreptocócica recente, sendo crucial correlacionar com o quadro clínico e outros marcadores, como o anti-DNAse B.
A febre reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica não supurativa que pode ocorrer após uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A). O diagnóstico da FR é clínico, baseado nos Critérios de Jones, que incluem manifestações maiores (cardite, poliartrite, coreia, eritema marginado, nódulos subcutâneos) e menores (febre, artralgia, elevação de VHS/PCR, prolongamento do PR no ECG), além da evidência de infecção estreptocócica prévia. A evidência de infecção estreptocócica recente é crucial e pode ser obtida por cultura de orofaringe positiva, teste rápido de antígeno positivo ou, mais comumente, pela detecção de anticorpos antiestreptocócicos, como a antiestreptolisina O (ASO) e a anti-DNAse B. A ASO começa a subir cerca de 1 semana após a infecção, atinge o pico em 3-6 semanas e começa a cair. É fundamental compreender que os títulos de ASO podem permanecer elevados por um período prolongado (meses a anos) após a infecção aguda. Portanto, um título alto de ASO isoladamente não é suficiente para confirmar uma infecção recente ou ativa, e deve ser interpretado no contexto clínico do paciente. A repetição do exame após 15 dias pode ser útil para observar a variação do título e confirmar a elevação ou queda. A ASO não se correlaciona com a gravidade da doença cardíaca reumática.
A ASO é um marcador de infecção prévia por Streptococcus pyogenes, um pré-requisito para o desenvolvimento da febre reumática. Sua elevação sugere uma infecção recente, mas não é diagnóstica por si só.
Os anticorpos antiestreptolisina O podem permanecer elevados por meses ou até anos após a infecção aguda, devido à sua lenta queda. Por isso, um título isolado alto não confirma infecção recente, sendo necessária a correlação clínica.
Além da ASO, o anti-DNAse B é outro marcador de infecção estreptocócica. A cultura de orofaringe ou teste rápido de antígeno podem identificar a infecção ativa, mas podem ser negativos na fase da febre reumática.
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