Antidiabéticos Perioperatório: Suspensão e Manejo

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 64 anos, portadora de diabetes mellitus tipo 2 desde os 56 anos, em uso de empagliflozina 25 mg/dia, linagliptina 5 mg/dia e metformina XR 1 g/dia. Será submetida à colecistectomia videolaparoscópica eletiva. Última hemoglobina glicada (HbA1c): 7,3% (VR: 4,3-6,1). Quais orientações devem ser feitas em relação ao uso dos antidiabéticos?

Alternativas

  1. A) Manter a metformina e a empagliflozina até o dia anterior à cirurgia; suspender a linagliptina 1 dia antes da cirurgia.
  2. B) Manter a metformina até o dia anterior à cirurgia; suspender a empagliflozina 4 dias antes do procedimento; manter a linagliptina.
  3. C) Suspender a metformina 2 dias antes da cirurgia e a empagliflozina 1 dia antes do procedimento; manter a linagliptina.
  4. D) Suspender a metformina 3 dias antes da cirurgia; manter a empagliflozina até o dia anterior à cirurgia; suspender a linagliptina 1 dia antes da cirurgia.

Pérola Clínica

Cirurgia eletiva: suspender empagliflozina (SGLT2) 3-4 dias antes; metformina 1-2 dias antes; manter linagliptina (DPP-4).

Resumo-Chave

No perioperatório de cirurgias eletivas, a metformina deve ser suspensa 24-48 horas antes devido ao risco de acidose lática. Inibidores de SGLT2, como a empagliflozina, devem ser suspensos 3-4 dias antes para evitar cetoacidose euglicêmica. Inibidores de DPP-4, como a linagliptina, geralmente podem ser mantidos, pois têm baixo risco de hipoglicemia e não afetam a função renal de forma aguda.

Contexto Educacional

O manejo dos antidiabéticos no período perioperatório é crucial para garantir a segurança do paciente e otimizar o controle glicêmico. Pacientes com diabetes mellitus tipo 2 submetidos a cirurgias eletivas requerem um plano individualizado para evitar complicações como hipoglicemia, hiperglicemia, acidose lática e cetoacidose. A HbA1c de 7,3% indica um controle glicêmico razoável, mas a atenção aos medicamentos é fundamental. A metformina, um biguanida, deve ser suspensa 24 a 48 horas antes da cirurgia devido ao risco de acidose lática, especialmente em situações de hipóxia, hipoperfusão ou insuficiência renal aguda que podem ocorrer no perioperatório. A empagliflozina, um inibidor do SGLT2, deve ser suspensa com maior antecedência (3 a 4 dias antes) devido ao risco de cetoacidose euglicêmica, uma condição grave onde há cetoacidose com níveis de glicose normais ou levemente elevados, precipitada por jejum, estresse cirúrgico e depleção de volume. A linagliptina, um inibidor da DPP-4, geralmente pode ser mantida no perioperatório. Essa classe de medicamentos tem um perfil de segurança favorável, com baixo risco de hipoglicemia e sem associação com acidose lática ou cetoacidose. O controle glicêmico durante o jejum e no pós-operatório imediato deve ser feito com insulina, se necessário, para evitar flutuações glicêmicas que podem impactar a cicatrização e o risco de infecções.

Perguntas Frequentes

Por que a metformina deve ser suspensa antes de uma cirurgia?

A metformina deve ser suspensa 24 a 48 horas antes de cirurgias, especialmente aquelas que envolvem risco de instabilidade hemodinâmica ou uso de contraste iodado, devido ao risco de acumulação do fármaco e desenvolvimento de acidose lática, uma complicação grave.

Qual o risco dos inibidores de SGLT2 no perioperatório e como preveni-lo?

Os inibidores de SGLT2 (como empagliflozina) aumentam o risco de cetoacidose euglicêmica no perioperatório, mesmo com glicemia normal, devido à depleção de volume e aumento de corpos cetônicos. Para prevenir, devem ser suspensos 3 a 4 dias antes da cirurgia eletiva.

A linagliptina (inibidor de DPP-4) precisa ser suspensa antes da cirurgia?

Geralmente, os inibidores de DPP-4, como a linagliptina, não precisam ser suspensos antes de cirurgias eletivas. Eles têm baixo risco de hipoglicemia e não estão associados a complicações metabólicas graves no perioperatório, como acidose lática ou cetoacidose.

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