HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2025
Em uma gravidez a presença de anticorpos anti-SSA (RO) e anti-SSB (LA) pode acarretar no feto
Anti-SSA/Ro e anti-SSB/La na gravidez → risco de bloqueio cardíaco congênito fetal por lúpus neonatal.
A presença de anticorpos anti-SSA/Ro e anti-SSB/La em gestantes está fortemente associada ao lúpus neonatal, uma condição autoimune que pode causar bloqueio cardíaco congênito irreversível no feto. Esses anticorpos atravessam a placenta e atacam o sistema de condução cardíaco fetal, especialmente entre a 18ª e 24ª semana de gestação.
A presença de anticorpos anti-SSA (Ro) e anti-SSB (La) em gestantes é um achado clínico de grande importância, pois está diretamente associada ao risco de lúpus neonatal, uma condição autoimune que afeta o feto e o recém-nascido. Embora o lúpus neonatal seja geralmente benigno e transitório, manifestando-se com lesões cutâneas, alterações hepáticas e hematológicas, sua complicação mais grave e irreversível é o bloqueio cardíaco congênito. O bloqueio cardíaco congênito ocorre quando os anticorpos maternos atravessam a placenta e atacam o sistema de condução cardíaco fetal, especialmente o nó atrioventricular. Isso pode levar a bradicardia fetal e, em casos graves, à insuficiência cardíaca e hidropsia fetal. O período crítico para o desenvolvimento do bloqueio cardíaco é entre a 18ª e a 24ª semana de gestação. Uma vez estabelecido o bloqueio cardíaco de terceiro grau, ele é irreversível e o recém-nascido pode necessitar de implante de marca-passo. Para residentes, é crucial rastrear esses anticorpos em gestantes com doenças autoimunes conhecidas (como Lúpus Eritematoso Sistêmico ou Síndrome de Sjögren) ou em casos de gestações anteriores afetadas por lúpus neonatal. O monitoramento fetal rigoroso com ecocardiografias seriadas é essencial para a detecção precoce de alterações na condução cardíaca. Embora não haja um tratamento completamente eficaz para prevenir o bloqueio de terceiro grau, a administração de corticosteroides maternos pode ser considerada em casos de bloqueio de primeiro ou segundo grau, ou para reduzir a inflamação miocárdica.
Lúpus neonatal é uma condição autoimune transitória em recém-nascidos, causada pela passagem transplacentária de autoanticorpos maternos (principalmente anti-SSA/Ro e anti-SSB/La). Pode manifestar-se com lesões cutâneas (eritema anular), alterações hepáticas, hematológicas e, mais gravemente, bloqueio cardíaco congênito.
O bloqueio cardíaco congênito é diagnosticado por ecocardiografia fetal, que detecta bradicardia e alterações na condução. O manejo pode incluir corticosteroides maternos em casos de bloqueio de 1º ou 2º grau, mas o bloqueio de 3º grau é irreversível e pode necessitar de marca-passo após o nascimento.
Esses anticorpos são classicamente associados à Síndrome de Sjögren e ao Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Sua presença em gestantes, mesmo assintomáticas, indica um risco aumentado para o feto desenvolver lúpus neonatal e bloqueio cardíaco congênito.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo