UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
Paciente de 31 anos, tabagista, nulípara, procura o ambulatório de ginecologia desejando iniciar vida sexual e solicitando orientação contraceptiva. Com relação à orientação anticoncepcional para essa paciente, pode-se afirmar que:
Mulheres tabagistas < 35 anos sem outros fatores de risco podem usar anticoncepcional oral combinado, mas com cautela.
A contraindicação absoluta para anticoncepcionais orais combinados em tabagistas é para mulheres com idade ≥ 35 anos ou tabagismo pesado (>15 cigarros/dia) devido ao risco aumentado de eventos cardiovasculares. Para mulheres mais jovens, o risco é menor, mas ainda requer avaliação e aconselhamento.
A orientação contraceptiva é uma parte fundamental da prática ginecológica, e a avaliação dos fatores de risco individuais é crucial. O tabagismo é um fator de risco cardiovascular importante que interage com os componentes hormonais dos contraceptivos, especialmente o estrogênio, aumentando a probabilidade de eventos trombóticos e cardiovasculares. É essencial que o médico avalie a idade da paciente, a intensidade do tabagismo e a presença de outros fatores de risco para determinar o método contraceptivo mais seguro e eficaz. Os Critérios de Elegibilidade Médica para Uso de Contraceptivos da OMS (MEC) são uma ferramenta valiosa para essa avaliação, classificando os métodos de 1 a 4, onde 4 indica uma contraindicação absoluta. Para anticoncepcionais orais combinados, o tabagismo em mulheres com menos de 35 anos é geralmente uma categoria 2 (benefícios geralmente superam os riscos), mas torna-se categoria 3 (riscos geralmente superam os benefícios) se for tabagismo pesado (>15 cigarros/dia) e categoria 4 (contraindicação) para mulheres com 35 anos ou mais que fumam. Além disso, é importante desmistificar a ideia de que o DIU é contraindicado para nulíparas. As evidências atuais demonstram que o DIU é uma opção segura e eficaz para mulheres que nunca engravidaram, oferecendo contracepção de longa duração e alta eficácia. A escolha do método deve ser individualizada, considerando as preferências da paciente, seu histórico de saúde e os riscos e benefícios de cada opção.
As principais contraindicações incluem tabagismo em mulheres ≥ 35 anos, histórico de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, doença cardiovascular isquêmica, AVC, hipertensão não controlada, enxaqueca com aura, câncer de mama e doença hepática grave.
Não, o DIU (tanto de cobre quanto hormonal) não é contraindicado para mulheres nulíparas. As diretrizes atuais da OMS e da FEBRASGO consideram o DIU um método seguro e eficaz para nulíparas, com altas taxas de satisfação e continuidade.
O tabagismo, especialmente em mulheres mais velhas, potencializa os efeitos protrombóticos e aterogênicos dos estrogênios presentes nos anticoncepcionais combinados, aumentando significativamente o risco de trombose, infarto do miocárdio e AVC.
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