HCV - Hospital da Cruz Vermelha Brasileira (PR) — Prova 2015
Maria, 41 anos busca a Unidade de Saúde querendo um método anticoncepcional. Separada, está com um novo relacionamento e não quer engravidar de jeito nenhum, pois já tem 4 filhos. Sempre usou pílula de 21 dias e quer continuar porque se sente segura. É tabagista e recentemente iniciou tratamento para HAS. Sobre a melhor orientação médica para este caso, avalie as asserções a seguir e a relação causal proposta entre elas. I - O anticoncepcional oral que Maria poderá usar é apenas a pílula com progesterona isolada, e por isso não irá menstruar; II - Pelo tabagismo da paciente, a pílula combinada (21 dias) oferece risco aumentado de fenômeno tromboembólico. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta:
Tabagismo + HAS + idade > 35 anos contraindicam pílula combinada; optar por progesterona isolada.
Mulheres tabagistas, especialmente com mais de 35 anos e com hipertensão arterial, possuem alto risco de eventos tromboembólicos com o uso de anticoncepcionais orais combinados (AOCs) devido ao componente estrogênico. Nesses casos, a pílula de progesterona isolada (minipílula) é uma alternativa segura, embora possa alterar o padrão menstrual.
A escolha do método anticoncepcional deve ser individualizada, considerando o perfil de saúde da paciente e os Critérios de Elegibilidade Médica para o Uso de Contraceptivos da OMS. No caso de Maria, 41 anos, tabagista e com hipertensão arterial, a situação é de alto risco para o uso de anticoncepcionais orais combinados (AOCs), que contêm estrogênio. O estrogênio aumenta o risco de eventos tromboembólicos, especialmente em mulheres com fatores de risco como idade avançada (>35 anos), tabagismo e hipertensão. A asserção II está correta ao afirmar que o tabagismo da paciente, em conjunto com sua idade e HAS, oferece um risco aumentado de fenômeno tromboembólico com a pílula combinada. Este risco é uma contraindicação absoluta para o uso de AOCs (categoria 4 da OMS). Consequentemente, a asserção I está correta ao indicar que o anticoncepcional oral que Maria poderá usar é apenas a pílula com progesterona isolada (minipílula), que não contém estrogênio e, portanto, não eleva o risco tromboembólico. A relação causal entre as asserções é clara: o risco aumentado de trombose (asserção II) justifica a necessidade de optar pela pílula de progesterona isolada (asserção I). A minipílula pode levar a alterações do padrão menstrual, incluindo amenorreia ou sangramentos irregulares, o que é importante de ser comunicado à paciente. É crucial que os residentes saibam identificar essas contraindicações para garantir a segurança e a eficácia da contracepção.
As contraindicações incluem tabagismo em mulheres > 35 anos, hipertensão arterial não controlada, histórico de trombose, doença cardiovascular, enxaqueca com aura, câncer de mama e doença hepática grave.
A pílula de progesterona isolada não contém estrogênio, que é o componente dos AOCs associado ao aumento do risco tromboembólico, tornando-a uma opção mais segura para pacientes com contraindicações ao estrogênio.
Além da pílula de progesterona isolada, outras opções seguras incluem DIU de cobre, DIU hormonal (levonorgestrel), implante de progesterona e métodos de barreira.
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