UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente de 37 anos veio à consulta ginecológica de rotina. Usuária de anticoncepcional oral combinado (AOC) com regularidade há 6 anos, informou estar bem adaptada, não esquecendo nem atrasando a ingestão dos comprimidos. Na revisão de sistemas, queixou-se de cefaleia nos dias que antecediam a menstruação, quadro iniciado há 2 anos. Eventualmente apresentava náuseas e vômitos, que cediam com repouso. Usava sumatriptano nos episódios de cefaleia e propranolol profilático em baixa dose. Com base no quadro, assinale a assertiva correta.
Cefaleia com aura + AOC = ↑ risco AVC isquêmico, contraindicação formal.
Pacientes com migrânea com aura têm um risco aumentado de acidente vascular cerebral isquêmico, e o uso de anticoncepcionais orais combinados (AOCs) eleva ainda mais esse risco, sendo uma contraindicação formal. A presença de cefaleia com aura é um fator de risco importante a ser avaliado na prescrição de AOC.
A contracepção hormonal combinada é amplamente utilizada, mas sua prescrição exige avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios. O envelhecimento da população e o aumento da prevalência de comorbidades tornam a avaliação de riscos cardiovasculares, como o AVC, ainda mais crítica. A migrânea com aura é uma condição neurológica que, por si só, confere um risco aumentado de AVC isquêmico. O estrogênio presente nos AOCs pode potencializar esse risco através de mecanismos como a hipercoagulabilidade e a disfunção endotelial. A identificação da aura é crucial para a tomada de decisão. A avaliação do risco cardiovascular é fundamental antes de iniciar ou manter AOC. Em pacientes com migrânea com aura, os AOCs são contraindicados (categoria 4 da OMS). Métodos contraceptivos que não contenham estrogênio são as opções seguras, visando minimizar o risco de eventos trombóticos.
A principal contraindicação para o uso de AOC em pacientes com cefaleia é a presença de migrânea com aura, devido ao aumento significativo do risco de acidente vascular cerebral isquêmico.
A migrânea com aura já é um fator de risco independente para AVC isquêmico. Os estrogênios presentes nos AOCs podem exacerbar a hipercoagulabilidade e a disfunção endotelial, potencializando esse risco.
Para pacientes com migrânea com aura, métodos contraceptivos que não contenham estrogênio são considerados seguros, como métodos apenas com progestagênio (DIU hormonal, implante, pílula de progestagênio isolado) ou métodos não hormonais (DIU de cobre, métodos de barreira).
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