UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Primigesta, 33 anos de idade, teve parto normal há 30 dias, sem intercorrências. Comparece na consulta solicitando anticoncepção. Antecedentes pessoais: heterozigose para o Fator V de Leyden e endometriose profunda. Não apresenta antecedentes de trombose venosa profunda. Qual é a conduta mais adequada?
Trombofilia hereditária → Contraindica estrogênio (MEC 4); DIU hormonal é seguro e trata endometriose.
Em pacientes com risco trombótico aumentado, como portadoras do Fator V de Leyden, métodos combinados são contraindicados. O DIU de levonorgestrel é uma excelente opção por ser categoria 1 ou 2 da OMS e auxiliar no controle da endometriose.
A escolha do método contraceptivo em pacientes com comorbidades exige a aplicação dos Critérios Médicos de Elegibilidade da OMS. No caso de trombofilias hereditárias, o risco de tromboembolismo venoso (TEV) é a principal preocupação. Métodos contendo apenas progestagênio ou métodos não hormonais (DIU de cobre) são as escolhas de eleição. Além da segurança, deve-se considerar benefícios não contraceptivos, como o controle de sintomas de endometriose e sangramento uterino anormal.
O Fator V de Leyden é uma mutação genética que causa resistência à proteína C reativa, aumentando significativamente o estado pró-trombótico. O uso de estrogênio exógeno (presente nos anticoncepcionais combinados) potencializa esse risco ao aumentar a síntese hepática de fatores de coagulação e reduzir anticoagulantes naturais. Por isso, a OMS classifica métodos combinados como Categoria 4 (risco inaceitável) para essas pacientes.
Sim, o DIU (tanto de cobre quanto de levonorgestrel) pode ser inserido no puerpério. Após 4 semanas do parto, os riscos de expulsão são reduzidos e a segurança é alta. Para mulheres que amamentam, o DIU de levonorgestrel não interfere na lactação e oferece uma eficácia contraceptiva superior, sendo classificado como Categoria 1 ou 2 dependendo do tempo pós-parto.
O DIU de levonorgestrel promove a decidualização e atrofia do endométrio, além de reduzir a proliferação de focos ectópicos de endometriose através da liberação local de progestagênio. Isso resulta em uma redução significativa da dismenorreia e da dor pélvica crônica, tornando-o uma opção terapêutica e contraceptiva ideal para pacientes com endometriose profunda.
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