Anticoncepção Segura em SAF e Enxaqueca com Aura

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Paciente hipertensa com síndrome antifosfolipide, foi ao ginecologista para iniciar método anticoncepcional. Refere enxaqueca com aura. Qual método anticoncepcional deve ser indicado?

Alternativas

  1. A) Anel vaginal
  2. B) combinado oral contínuo
  3. C) Injetável mensal
  4. D) Dispositivo Intrauterino 

Pérola Clínica

SAF + Enxaqueca com Aura = contraindicação absoluta a estrogênios. DIU (cobre ou hormonal) ou progestágenos puros são seguros.

Resumo-Chave

Pacientes com Síndrome Antifosfolípide (SAF) e enxaqueca com aura possuem um risco trombótico muito elevado, sendo contraindicado o uso de qualquer método contraceptivo que contenha estrogênio (combinados orais, anel vaginal, injetáveis mensais). Nesses casos, métodos como o Dispositivo Intrauterino (DIU), seja de cobre ou hormonal, ou métodos apenas com progestágenos, são as opções seguras.

Contexto Educacional

A escolha do método contraceptivo em pacientes com condições médicas complexas, como a Síndrome Antifosfolípide (SAF) e enxaqueca com aura, exige conhecimento aprofundado das contraindicações e riscos. A SAF é uma doença autoimune caracterizada por tromboses arteriais ou venosas e/ou morbidade gestacional, associada à presença de anticorpos antifosfolípides. A enxaqueca com aura, por sua vez, é um fator de risco independente para acidente vascular cerebral isquêmico. A combinação dessas duas condições eleva drasticamente o risco trombótico da paciente. Contraceptivos hormonais combinados (que contêm estrogênio), como pílulas combinadas orais, anel vaginal e injetáveis mensais, são absolutamente contraindicados nessas pacientes (Categoria 4 dos Critérios de Elegibilidade Médica da OMS) devido ao aumento do risco de eventos tromboembólicos graves, como AVC, infarto do miocárdio e trombose venosa profunda. O estrogênio é o componente responsável por esse aumento de risco. Portanto, o método anticoncepcional indicado deve ser isento de estrogênio. As opções seguras incluem métodos de progestágeno puro (minipílulas, injetáveis trimestrais, implantes subdérmicos) ou métodos não hormonais, como o Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre ou o DIU hormonal (liberador de levonorgestrel). O DIU é uma excelente opção por sua alta eficácia, longa duração e ausência de estrogênio, sendo a alternativa correta neste cenário.

Perguntas Frequentes

Por que contraceptivos combinados são contraindicados em pacientes com Síndrome Antifosfolípide e enxaqueca com aura?

Contraceptivos combinados, que contêm estrogênio, aumentam o risco de trombose. Em pacientes com Síndrome Antifosfolípide (que já têm um estado protrombótico) e enxaqueca com aura (fator de risco para AVC isquêmico), o risco de eventos trombóticos graves é inaceitavelmente alto, tornando-os contraindicados.

Quais são as opções contraceptivas seguras para essas pacientes?

As opções seguras incluem métodos que não contêm estrogênio, como o Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre, o DIU hormonal (liberador de levonorgestrel), implantes de progestagênio, injetáveis trimestrais de progestagênio e minipílulas (apenas progestagênio).

O que são os Critérios de Elegibilidade Médica para Uso de Contraceptivos (CEM)?

Os CEM da OMS (Organização Mundial da Saúde) são diretrizes que classificam as condições médicas em relação ao uso de métodos contraceptivos, indicando se são seguros (categoria 1 ou 2), se os riscos superam os benefícios (categoria 3) ou se são contraindicados (categoria 4). Síndrome Antifosfolípide e enxaqueca com aura são geralmente categoria 4 para contraceptivos combinados.

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