SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
I.S.K., 28 anos, em PO3 de parto vaginal, sem intercorrências. Em amamentação exclusiva. Prole constituída. Solicita, ainda antes da alta, um método anticoncepcional. Nega comorbidades. Nega tabagismo. Assinale a alternativa que apresenta o método anticoncepcional mais adequado, em relação ao período de puerpério e a história clínica dessa paciente:
LARC (Implante/DIU) = Alta eficácia no puerpério; Progestagênios isolados não interferem na lactação.
Métodos de progestagênio isolado (como o implante) são Categoria 1 da OMS para mulheres amamentando com menos de 6 semanas pós-parto, sendo ideais pela segurança e eficácia.
O planejamento reprodutivo no puerpério é uma estratégia crucial de saúde pública para reduzir gestações não planejadas em intervalos interpartais curtos, que estão associados a maiores riscos materno-fetais. Segundo os Critérios Médicos de Elegibilidade da OMS, os métodos de progestagênio isolado (implante, injetável trimestral e minipílula) são seguros para uso imediato por lactantes. Os LARCs (Long-Acting Reversible Contraception), como o implante de etonogestrel, ganham destaque por serem métodos 'esqueça e use', eliminando o erro de adesão da paciente. No contexto de uma paciente jovem, em amamentação exclusiva e já com prole constituída, oferecer um método de altíssima eficácia e longa duração ainda antes da alta hospitalar otimiza o cuidado e respeita a autonomia reprodutiva da mulher.
O uso de estrogênios é contraindicado nas primeiras semanas do puerpério (especialmente antes de 21 a 42 dias) por dois motivos principais: o risco significativamente elevado de tromboembolismo venoso (TEV) nesse período de hipercoagulabilidade e a potencial interferência negativa na lactogênese. O estrogênio pode reduzir a quantidade e a qualidade do leite materno, prejudicando a amamentação exclusiva. Por isso, métodos combinados são classificados como Categoria 4 (risco inaceitável) ou 3 pela OMS para lactantes no pós-parto imediato.
O implante de etonogestrel é um método LARC (contracepção reversível de longa duração) com a menor taxa de falha entre todos os métodos anticoncepcionais (índice de Pearl de 0,05%). Ele pode ser inserido imediatamente após o parto, ainda na maternidade, o que garante que a paciente saia protegida. Como contém apenas progestagênio, não interfere na amamentação nem aumenta o risco trombótico, sendo classificado como Categoria 1 da OMS (sem restrição de uso) para lactantes, independentemente do tempo pós-parto.
O DIU (seja de cobre ou de levonorgestrel) pode ser inserido no pós-parto imediato (até 48 horas após o parto) ou após 4 semanas (pós-puerpério). No entanto, a inserção entre 48 horas e 4 semanas (como no caso do PO3) está associada a taxas significativamente maiores de expulsão do dispositivo. Por essa razão técnica, embora não seja proibido, o implante subdérmico torna-se uma opção mais robusta e segura para garantir a eficácia contraceptiva nesse intervalo específico de tempo.
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