Manejo de Atraso na Medroxiprogesterona Trimestral

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 36 anos de idade, comparece a consulta médica em uma Unidade Básica de Saúde. No início da consulta, ela solicita a sua médica uma ultrassonografia transvaginal para investigar câncer de colo uterino e afirma que não sairá da consulta sem o pedido deste exame. Ao verificar rapidamente a lista de problemas desta paciente, a médica observa que ela não possui comorbidades clínicas. Faz uso de medroxiprogesterona 150mg/mL intramuscular a cada 3 meses há 2 anos (última aplicação há 108 dias). Sua última colpocitologia oncótica foi em 2023. Em relação à contracepção desta paciente, qual é a conduta correta, considerando que ela se mantém sexualmente ativa?

Alternativas

  1. A) Descartar gestação, pois os métodos contraceptivos de progestagênios isolados não admitem atrasos durante o seu uso.
  2. B) Realizar nova aplicação da medroxiprogesterona hoje, pois ainda está no período de tolerância de atraso.
  3. C) Descartar gestação antes de realizar nova aplicação, pois houve atraso de mais de duas semanas desde a última injeção.
  4. D) Realizar nova aplicação da medroxiprogesterona hoje, considerando que pode ter ação de contraceptivo de emergência, no contexto de atraso.

Pérola Clínica

Atraso > 14 dias na Medroxiprogesterona IM → Excluir gestação antes da nova dose.

Resumo-Chave

O acetato de medroxiprogesterona de depósito permite um atraso de até 2 semanas (14 dias) além dos 3 meses previstos. Após esse período, a segurança contraceptiva é comprometida.

Contexto Educacional

O acetato de medroxiprogesterona de depósito é um progestagênio de longa duração que inibe a ovulação e altera o muco cervical. Sua administração é trimestral (a cada 12-13 semanas). O conhecimento dos critérios de elegibilidade e protocolos de atraso é fundamental na Atenção Primária para evitar gestações não planejadas e garantir a adesão ao método. Clinicamente, o atraso além da janela de 14 dias exige cautela. A conduta de excluir gestação protege tanto a paciente quanto o profissional, assegurando que o hormônio não seja administrado em uma gravidez já estabelecida. O uso de métodos de barreira complementares é essencial na primeira semana após o reinício tardio.

Perguntas Frequentes

Qual o período de tolerância para a medroxiprogesterona trimestral?

De acordo com a OMS e o Ministério da Saúde, a aplicação da medroxiprogesterona de depósito (150mg IM) pode ser realizada com segurança até 2 semanas (14 dias) após a data prevista (90 dias da última dose). Se a paciente retornar dentro deste intervalo de 104 dias totais, a aplicação pode ser feita sem necessidade de testes adicionais ou métodos de barreira. No caso clínico, a paciente estava com 108 dias, ultrapassando o limite de segurança.

O que fazer se o atraso for superior a 2 semanas?

Se o atraso for superior a 14 dias da data programada, deve-se primeiro excluir a gravidez através de exame físico, teste de gravidez urinário ou Beta-hCG. Além disso, a paciente deve ser orientada a utilizar métodos de barreira (preservativos) ou abstinência sexual pelos próximos 7 dias após a aplicação tardia para garantir a eficácia contraceptiva do novo ciclo.

A medroxiprogesterona pode ser usada como contracepção de emergência?

Não. Os métodos injetáveis de depósito não possuem indicação ou eficácia comprovada como contracepção de emergência. Em casos de relação sexual desprotegida durante o período de atraso vacinal, deve-se considerar o uso de levonorgestrel ou acetato de ulipristal como medida de emergência antes de reiniciar o método de depósito.

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