Anticoncepção de Emergência em Homens Transgêneros

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem transgênero, 30a, vem ao pronto socorro referindo ter sofrido violência sexual com penetração há 24 horas. Nega comorbidades, uso de medicamentos e cirurgias prévias. A CONDUTA ADEQUADA PARA ESTE PACIENTE É:

Alternativas

  1. A) Anticoncepção de emergência com levonorgestrel 1,5 mg em dose única.
  2. B) Não indicar anticoncepção porque é um homem transgênero.
  3. C) Não indicar anticoncepção de emergência, pois evento ocorreu há mais de 12 horas.
  4. D) Anticoncepção de emergência com desogestrel 0,75 mg duas doses com intervalo de 12 horas.

Pérola Clínica

Homem transgênero com útero e violência sexual → indicar anticoncepção de emergência se dentro do prazo.

Resumo-Chave

Homens transgênero podem ter útero e ovários e, portanto, capacidade de engravidar, especialmente se não estiverem em terapia hormonal supressora ou se a terapia for interrompida. A anticoncepção de emergência é indicada após violência sexual com penetração, desde que dentro do período de eficácia, independentemente da identidade de gênero.

Contexto Educacional

O atendimento a vítimas de violência sexual é uma emergência médica que exige uma abordagem multidisciplinar e sensível, independentemente da identidade de gênero da vítima. É crucial reconhecer que homens transgêneros podem ter útero e ovários, especialmente se não tiverem passado por cirurgias de redesignação sexual ou se a terapia hormonal estiver incompleta ou ausente. A capacidade de engravidar, portanto, deve ser sempre avaliada, e a anticoncepção de emergência deve ser oferecida quando indicada. A anticoncepção de emergência (AE) é um componente vital do cuidado pós-violência sexual para prevenir uma gravidez indesejada. O levonorgestrel 1,5 mg em dose única é o método mais comum e eficaz, com maior sucesso quando administrado nas primeiras 72 horas após o evento, embora possa ser usado até 120 horas. É importante desmistificar a ideia de que homens transgêneros não podem engravidar, pois essa suposição pode levar à omissão de cuidados essenciais e à revitimização. Além da anticoncepção, o protocolo de atendimento a vítimas de violência sexual inclui profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV (profilaxia pós-exposição - PEP), sífilis, gonorreia e clamídia, vacinação contra hepatite B e HPV (se indicado), avaliação de lesões físicas e suporte psicossocial. A abordagem deve ser centrada na vítima, respeitando sua autonomia e identidade, e garantindo um ambiente seguro e acolhedor para o cuidado integral.

Perguntas Frequentes

Por que a anticoncepção de emergência é indicada para homens transgêneros após violência sexual?

Homens transgêneros podem ter útero e ovários e, portanto, capacidade de engravidar se não tiverem realizado histerectomia e ooforectomia, ou se não estiverem em terapia hormonal que suprima a ovulação. A anticoncepção de emergência é uma medida preventiva crucial.

Qual o prazo de eficácia da anticoncepção de emergência com levonorgestrel?

O levonorgestrel é mais eficaz quando administrado nas primeiras 72 horas (3 dias) após a relação sexual desprotegida, mas pode ter alguma eficácia até 120 horas (5 dias). A dose única de 1,5 mg é a mais recomendada.

Além da anticoncepção, quais outras condutas são essenciais no atendimento a vítimas de violência sexual?

Além da anticoncepção de emergência, é fundamental oferecer profilaxia para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo HIV, hepatite B e sífilis, além de avaliação e tratamento de lesões, apoio psicossocial e coleta de evidências forenses, se aplicável.

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