Violência Sexual: Conduta Médica e Anticoncepção de Emergência

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020

Enunciado

Segundo o Ministério da Saúde, “A violência sexual, cuja compreensão remonta a uma trama de raízes profundas, produz consequências traumáticas e indeléveis para quem a sofre. Por atravessar períodos históricos, nações e fronteiras territoriais, e permear as mais diversas culturas, independente de classe social, raça-etnia ou religião, guarda proporções pandêmicas e características universais”. Fonte:bvsms.saude.gov.br/bvs/publicações/prevenção_agravo_violencia_sexual_mulheres_3ed.pdfDurante o atendimento médico de urgência a pacientes vítimas de violência sexual, a conduta correta a ser tomada é

Alternativas

  1. A) prescrever antirretrovirais para fins profiláticos, devendo a vítima receber informação sobre a importância do uso correto das medicações até o término do tratamento. É necessário também informar que o uso do antirretroviral no esquema da profilaxia pós -exposição (PEP) pode implicar o risco da ocorrência de efeitos adversos, e, caso ocorra icterícia, mesmo que leve, deve-se interromper o prosseguimento da PEP.
  2. B) realizar a imunoprofilaxia contra a hepatite B, que deve ser considerada nos casos com suspeita ou confirmação de exposição da vítima ao sêmen, sangue ou outros fluidos corpóreos do agressor. A administração da imunoglobulina humana anti-hepatite B poderá́ ocorrer em até́ , no máximo, 4 dias após a violência sexual, mas recomenda-se a sua aplicação nas primeiras 12 horas, após a violência, nos casos de não imunização e de esquema vacinal desconhecido ou incompleto das vítimas.
  3. C) utilizar a profilaxia ARV (antirretroviral) do HIV, que é considerada a abordagem protocolar de emergência nos casos de violência sexual com contato de fluidos do agressor. Deve ser iniciada, idealmente, nas primeiras 2 horas ou, no máximo, em 48 horas, mesmo nos casos de abuso crônico, em que a vítima é exposta, repetidamente, ao mesmo agressor. Nesse caso, o esquema terapêutico deve ser mantido por quatro semanas consecutivas.
  4. D)  indicar a anticoncepção de emergência (AE) para todas as mulheres e/ou adolescentes que tenham sofrido violência sexual, por meio de contato certo ou duvidoso com sêmen, independente do período do ciclo menstrual em que se encontrem. Porém, é desnecessária a AE quando há o relato de uso prévio de método contraceptivo de elevada eficácia, devendo-se, no entanto, considerar o estado de orientação cognitiva da pessoa.

Pérola Clínica

Vítima de violência sexual → AE sempre indicada, exceto se método eficaz prévio e consciente.

Resumo-Chave

A anticoncepção de emergência é uma medida prioritária no atendimento à vítima de violência sexual, devendo ser oferecida a todas as mulheres e adolescentes em idade fértil, independentemente da fase do ciclo menstrual, a menos que já utilizem um método contraceptivo de alta eficácia e estejam cognitivamente orientadas.

Contexto Educacional

O atendimento à vítima de violência sexual é uma urgência médica que exige uma abordagem multidisciplinar, humanizada e baseada em protocolos claros. O objetivo principal é minimizar os danos físicos e psicológicos, prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e gravidez, além de coletar evidências forenses. As condutas incluem a profilaxia para ISTs (HIV, sífilis, gonorreia, clamídia), imunoprofilaxia para hepatite B e tétano, e a anticoncepção de emergência (AE). A AE deve ser oferecida a todas as mulheres e adolescentes em idade fértil, exceto se houver uso prévio de método contraceptivo de alta eficácia e a paciente estiver consciente e orientada. A profilaxia antirretroviral (PEP) para HIV deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente em até 72 horas. É fundamental que o profissional de saúde ofereça acolhimento, informações claras e suporte psicológico. A coleta de material para exames laboratoriais e forenses deve ser realizada com o consentimento da vítima, respeitando sua autonomia e dignidade. O acompanhamento posterior é essencial para garantir a adesão aos tratamentos e o suporte psicossocial.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da anticoncepção de emergência em casos de violência sexual?

A anticoncepção de emergência é crucial para prevenir uma gravidez indesejada, um dos traumas adicionais que a vítima pode sofrer.

Quando a profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV deve ser iniciada?

A PEP para HIV deve ser iniciada idealmente nas primeiras 2 horas após a exposição, e no máximo em até 72 horas, mantida por 28 dias.

Como é feita a imunoprofilaxia contra hepatite B em vítimas de violência sexual?

A imunoprofilaxia contra hepatite B envolve a administração de imunoglobulina humana anti-hepatite B e vacina, idealmente nas primeiras 12 horas, e no máximo em 7 dias após a exposição.

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