Anticoncepção de Emergência: Interações e Eficácia

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2024

Enunciado

A violência sexual é qualquer ato sexual ou tentativa de obtenção de ato sexual por violência ou por coerção, independentemente da relação com a vítima. Sobre a violência sexual contra a mulher, criança ou adolescente é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) a interrupção de uma gestação indesejada, decorrente de uma violência sexual, deve ser realizada durante o primeiro trimestre, após a apresentação de alvará judicial.
  2. B) lesões condilomatosas, na região vulvoperineal, de uma criança, sexo feminino com 2 anos de idade, é um achado específico para constatar violência sexual.
  3. C) o uso de doxiciclina (100mg de 12 em 12 horas por 14 dias) é a primeira opção para a prevenção de infecção por clamídia após episódio de violência sexual.
  4. D) quando realizada as primeiras 72 horas, após a violência sexual, a anticoncepção de emergência (AE) oral com levonorgestrel (LNG) tem a mesma eficácia que a combinada etinilestradiol e LNG (método Yuzpe).
  5. E) a eficácia da AE pode ser reduzida em usuárias de fármacos indutores de enzimas CYP3A4 (como barbitúricos, carbamazepina, felbamato, griseofulvina, oxcarbazepina, fenitoína, rifampicina, erva-de-são-joão e topiramato).

Pérola Clínica

Eficácia da AE ↓ em usuárias de indutores enzimáticos CYP3A4 (ex: rifampicina, carbamazepina, erva-de-são-joão).

Resumo-Chave

A anticoncepção de emergência (AE) com levonorgestrel tem sua eficácia comprometida por fármacos que aceleram o metabolismo hepático, como os indutores da CYP3A4, exigindo atenção especial na prescrição e aconselhamento.

Contexto Educacional

A violência sexual é uma emergência médica que exige uma abordagem multidisciplinar e humanizada, focada na saúde física e mental da vítima. A profilaxia pós-exposição é fundamental para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e gravidez indesejada. A anticoncepção de emergência (AE) é um componente crítico desse manejo, sendo o levonorgestrel (LNG) a opção mais comum. É crucial que o profissional de saúde esteja ciente das interações medicamentosas que podem comprometer a eficácia da AE. Fármacos indutores de enzimas do citocromo P450, especialmente a CYP3A4, como alguns anticonvulsivantes (carbamazepina, fenitoína), rifampicina e a erva-de-são-joão, aceleram o metabolismo do LNG, reduzindo sua biodisponibilidade e, consequentemente, sua eficácia. Nesses casos, a dose de LNG pode precisar ser ajustada ou outras alternativas, como o DIU de cobre, devem ser consideradas. O manejo da violência sexual também inclui profilaxia para ISTs (gonorreia, clamídia, sífilis, HIV), vacinação e suporte psicossocial, sempre respeitando a autonomia da vítima e os prazos para cada intervenção.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos reduzem a eficácia da anticoncepção de emergência?

Fármacos indutores de enzimas CYP3A4, como rifampicina, carbamazepina, fenitoína e a erva-de-são-joão, aceleram o metabolismo do levonorgestrel, diminuindo sua concentração e eficácia.

Qual a conduta para anticoncepção de emergência em caso de uso de indutores enzimáticos?

Nesses casos, a dose de levonorgestrel pode precisar ser dobrada ou outras opções de AE, como o DIU de cobre, devem ser consideradas, sempre avaliando o risco-benefício individual.

Qual a profilaxia de ISTs recomendada após violência sexual?

A profilaxia inclui ceftriaxona para gonorreia, azitromicina para clamídia e sífilis, e metronidazol para tricomoníase, além da vacinação contra hepatite B e HPV, se indicado.

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