UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Nuligesta de 25 anos veio à consulta em busca de orientação para anticoncepção. Referiu ter diabetes melito tipo 1 desde os 13 anos e fazer uso de insulina lispro em bomba de insulina. Na última avaliação realizada por solicitação da endocrinologista, a hemoglobina glicada era de 6,5%, e a pesquisa de albuminúria, negativa. Exame de fundo de olho revelou retinopatia não proliferativa grave. Ao exame físico, apresentava pressão arterial de 120/80 mmHg, mamas simétricas, sem abaulamentos. À palpação da mama esquerda, foi constatado pequeno nódulo móvel de 2 x 2 cm na junção dos quadrantes inferiores; na mama direita, não havia alterações. O exame pélvico foi normal. Trouxe ultrassonografia mamária com imagem sugestiva de fibroadenoma na mama esquerda, BI-RADS 2. Que método contraceptivo, dentre os abaixo, apresenta risco ou está contraindicado (categoria 3 ou 4 dos critérios de elegibilidade da OMS) para anticoncepção da paciente?
DM1 com retinopatia grave → ACO combinado contraindicado (OMS categoria 3/4) devido a risco cardiovascular.
Pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1 e complicações vasculares, como retinopatia grave, apresentam risco cardiovascular aumentado. O uso de anticoncepcionais orais combinados, que contêm estrogênio, pode exacerbar esse risco, sendo contraindicado (categoria 3 ou 4 da OMS).
A escolha do método contraceptivo em mulheres com Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) requer uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios, especialmente na presença de complicações microvasculares ou macrovasculares. A retinopatia diabética grave é um marcador de doença vascular avançada e um fator de risco para eventos cardiovasculares. Os Critérios de Elegibilidade Médica para Contracepção da Organização Mundial da Saúde (OMS) são guias essenciais para a prática clínica. Para mulheres com DM1 e retinopatia, nefropatia, neuropatia ou doença com mais de 20 anos de duração, os anticoncepcionais orais combinados (ACOs) são classificados como categoria 3 (risco teórico ou comprovado que geralmente supera os benefícios) ou 4 (risco inaceitável para a saúde). Isso se deve ao componente estrogênico, que pode aumentar o risco de trombose e agravar a doença vascular preexistente. Em contraste, métodos contraceptivos que contêm apenas progestágeno (como pílulas de progestágeno isolado, implantes subdérmicos de etonogestrel e injetáveis de progestágeno) e métodos não hormonais (como o DIU de cobre) são considerados seguros e eficazes para essas pacientes, sendo as opções preferenciais. A avaliação individualizada e a discussão com a paciente sobre os riscos e benefícios de cada método são cruciais para garantir a adesão e a segurança.
A OMS classifica o uso de ACO combinado como categoria 3 ou 4 (risco ou contraindicação) em mulheres com DM1 ou DM2 que apresentem complicações vasculares, como retinopatia, nefropatia ou neuropatia, ou doença com duração superior a 20 anos.
O componente estrogênico dos ACOs combinados pode aumentar o risco de eventos trombóticos e agravar as complicações microvasculares e macrovasculares já presentes em pacientes diabéticas com retinopatia grave, elevando o risco cardiovascular.
Métodos contraceptivos que contêm apenas progestágeno (pílulas, implantes, injetáveis) e métodos não hormonais (DIU de cobre) são geralmente seguros e de escolha para mulheres com DM1 e complicações vasculares, pois não aumentam o risco cardiovascular.
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