Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2022
Adolescente com 14 anos de idade comparece à consulta médica em Unidade Básica de Saúde e quer orientação para o uso de método anticoncepcional mais eficaz, pois iniciou atividade sexual há 3 meses. A jovem nega queixas atuais e doenças prévias, informando fazer uso esporádico de preservativo masculino. Qual a melhor conduta para essa situação?
Adolescente > 12 anos tem autonomia para contracepção, sigilo profissional é fundamental.
No Brasil, adolescentes a partir dos 12 anos têm direito ao sigilo e à autonomia para decidir sobre sua saúde sexual e reprodutiva, incluindo a prescrição de métodos contraceptivos, sem a necessidade de consentimento dos pais ou responsáveis legais.
A saúde sexual e reprodutiva de adolescentes é um tema sensível e de grande importância na atenção primária. A adolescência é um período de descobertas e, muitas vezes, de início da atividade sexual, o que demanda acesso a informações e métodos contraceptivos eficazes para prevenir gestações não planejadas e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O profissional de saúde tem um papel fundamental de acolhimento e orientação. No Brasil, a legislação e as diretrizes éticas, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Código de Ética Médica, garantem o direito ao sigilo profissional e à autonomia do adolescente em questões de saúde, incluindo a contracepção, a partir dos 12 anos, desde que ele demonstre capacidade de discernimento. Isso significa que o adolescente pode buscar e receber métodos contraceptivos sem a necessidade de consentimento ou presença dos pais/responsáveis. A melhor conduta é oferecer aconselhamento completo sobre os diversos métodos contraceptivos disponíveis, incluindo sua eficácia, modo de uso, vantagens e desvantagens, e a importância do uso de preservativo para a dupla proteção (gravidez e ISTs). Métodos de longa duração reversíveis (LARC) são frequentemente recomendados pela alta eficácia e menor dependência da adesão diária, mas a escolha final deve ser da adolescente, respeitando suas preferências e contexto.
No Brasil, a partir dos 12 anos, o adolescente é considerado com capacidade de discernimento para tomar decisões sobre sua saúde sexual e reprodutiva, incluindo a escolha e prescrição de métodos contraceptivos, sob sigilo profissional.
Métodos de longa duração reversíveis (LARC), como DIU e implantes, são altamente eficazes e seguros para adolescentes, além dos contraceptivos hormonais orais e injetáveis, e o uso consistente de preservativos para prevenção de ISTs.
O TCLE é uma prática de boa fé e ética, mas não é um requisito legal obrigatório para a prescrição de contraceptivos em adolescentes com capacidade de discernimento, que já têm direito ao sigilo e autonomia. O importante é o aconselhamento completo e esclarecido.
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