UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 56 anos possui programação para realizar hepatectomia parcial devido carcinoma hepatocelular. AP: dois episódios prévios de tromboembolia pulmonar em uso diário de rivaroxabana há dois anos. Em relação ao manejo medicamentoso pré-operatório da paciente, a conduta recomendada é:
DOACs (Rivaroxabana) em cirurgia de alto risco → Suspender 48h antes; SEM terapia de ponte.
Para pacientes em uso de anticoagulantes orais diretos (DOACs), a suspensão pré-operatória baseia-se na meia-vida da droga e no risco de sangramento, dispensando a ponte com heparina.
O manejo perioperatório de pacientes anticoagulados exige um equilíbrio entre o risco de tromboembolismo venoso (TEV) e o risco de sangramento cirúrgico. A Rivaroxabana é um inibidor direto do fator Xa com farmacocinética previsível. Em pacientes com função renal normal, sua atividade anticoagulante declina rapidamente após a suspensão. A hepatectomia parcial é considerada um procedimento de alto risco hemorrágico. Segundo as diretrizes da EHRA e da SBC, a estratégia de 'no bridging' (sem ponte) é a conduta padrão para DOACs, simplificando o manejo pré-operatório e reduzindo complicações. A decisão deve sempre considerar o clearance de creatinina, pois a excreção renal parcial dessas drogas pode prolongar seu efeito em pacientes com nefropatia.
Diferente da Varfarina, que tem início e término de ação lentos, os DOACs (como a Rivaroxabana) possuem início de ação rápido e meia-vida curta. A realização de ponte com heparina durante o período em que o DOAC ainda está agindo ou logo após a suspensão aumenta drasticamente o risco de sangramento perioperatório, sem benefício comprovado na prevenção de tromboembolismo, conforme demonstrado em grandes estudos como o PAUSE.
Para procedimentos com alto risco de sangramento (como grandes cirurgias abdominais, hepatectomias ou neurocirurgias), a recomendação geral é suspender a Rivaroxabana 48 horas antes do procedimento (correspondendo a cerca de 4 a 5 meias-vidas da droga). Se o risco de sangramento for baixo, a suspensão por 24 horas costuma ser suficiente, sempre considerando a função renal do paciente.
O reinício depende da obtenção de hemostasia cirúrgica adequada. Em cirurgias de alto risco hemorrágico, geralmente aguarda-se de 48 a 72 horas após o procedimento para reiniciar a dose plena do DOAC. Em casos de alto risco trombótico, pode-se considerar o uso de heparina em dose profilática nas primeiras 24-48 horas antes de retornar ao anticoagulante oral.
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