Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2020
Com relação à indicação e ao uso de anticoagulante oral na fibrilação atrial persistente ou permanente, assinale a alternativa incorreta.
Anticoagulação na FA: Idade e sexo são CHA2DS2-VASc, mas FC NÃO é fator para indicação de anticoagulação.
A indicação de anticoagulação na Fibrilação Atrial (FA) é guiada principalmente pelo escore CHA2DS2-VASc, que inclui idade e sexo como fatores de risco para AVC. No entanto, a frequência cardíaca não é um componente desse escore e, portanto, não é um fator para decidir a necessidade de anticoagulação. O escore HAS-BLED avalia o risco de sangramento, mas um escore elevado não é uma contraindicação absoluta à anticoagulação, exigindo apenas manejo cuidadoso.
A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum e um fator de risco significativo para acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. A decisão de iniciar a anticoagulação oral é um pilar fundamental no manejo da FA, visando reduzir o risco de eventos tromboembólicos. A epidemiologia mostra que a prevalência da FA aumenta com a idade e com a presença de comorbidades cardiovasculares. A fisiopatologia da formação de trombos na FA está ligada à estase sanguínea no átrio esquerdo, especialmente no apêndice atrial esquerdo, devido à contração atrial ineficaz. O diagnóstico da FA é feito por eletrocardiograma. A indicação de anticoagulação é estratificada pelo escore CHA2DS2-VASc, que quantifica o risco de AVC. Paralelamente, o escore HAS-BLED avalia o risco de sangramento, auxiliando na tomada de decisão e na identificação de fatores modificáveis. O tratamento com anticoagulantes orais inclui antagonistas da vitamina K (como a varfarina) e os Novos Anticoagulantes Orais (NOACs), que são inibidores diretos da trombina ou do fator Xa. Os NOACs são geralmente preferidos devido à sua maior segurança e conveniência, mas são contraindicados em FA valvar. O prognóstico dos pacientes com FA é significativamente melhorado com a anticoagulação adequada, reduzindo drasticamente o risco de AVC, mas exige monitoramento contínuo para equilibrar a prevenção de trombose e o risco de sangramento.
O escore CHA2DS2-VASc considera insuficiência cardíaca (1 ponto), hipertensão (1 ponto), idade ≥ 75 anos (2 pontos), diabetes mellitus (1 ponto), AVC/AIT/TE prévio (2 pontos), doença vascular (1 ponto), idade 65-74 anos (1 ponto) e sexo feminino (1 ponto). A pontuação total guia a decisão de anticoagular.
Os NOACs não são indicados em pacientes com Fibrilação Atrial valvar, que é definida pela presença de estenose mitral moderada a grave ou prótese valvar mecânica. Nesses casos, a varfarina continua sendo o anticoagulante de escolha. Insuficiência mitral leve nativa não contraindica o uso de NOACs.
Não, um escore HAS-BLED elevado indica um maior risco de sangramento, mas não é uma contraindicação absoluta à anticoagulação oral. Ele serve como um alerta para identificar e corrigir fatores de risco de sangramento modificáveis e para monitorar o paciente mais de perto, ponderando sempre o risco trombótico versus o risco hemorrágico.
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