Fibrilação Atrial: Anticoagulação para Prevenção de AVC

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 78 anos, procura a unidade básica de saúde com queixa de palpitações há 4 meses. Nega dispneia, dor torácica ou síncope. Descobriu ser hipertenso há 5 anos, quando teve um quadro de acidente vascular cerebral isquêmico, que não resultou em sequelas no longo prazo. Está em uso de hidroclorotiazida e losartana em doses máximas, associado à aspirina 200 mg/dia. Nega outros antecedentes mórbidos relevantes. Ao exame clínico, pressão arterial 128x82 mmHg.ECG é apresentado. Qual é o plano de cuidado deste paciente?

Alternativas

  1. A) Introdução de anticoagulantes orais em dose plena. 
  2. B) Aumento da dose de aspirina para 300 mg/dia. 
  3. C) Prescrição de amiodarona 200 mg/dia. 
  4. D) Adição de betabloqueadores cardiosseletivos na dose máxima tolerada. 

Pérola Clínica

FA + CHA2DS2-VASc ≥ 2 (homens) ou ≥ 3 (mulheres) → Anticoagulação oral plena.

Resumo-Chave

Em pacientes com Fibrilação Atrial (FA) e alto risco tromboembólico, a anticoagulação oral é a medida mais importante para prevenir Acidente Vascular Cerebral (AVC). O score CHA2DS2-VASc é fundamental para estratificar esse risco e guiar a decisão de anticoagular, especialmente em pacientes com histórico de AVC prévio.

Contexto Educacional

A Fibrilação Atrial (FA) é a arritmia sustentada mais comum, com prevalência crescente com a idade. Sua principal complicação é o acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, que é mais grave e incapacitante do que os AVCs de outras etiologias. A identificação e o manejo adequado da FA são, portanto, de suma importância para a saúde pública e para a prática clínica. A fisiopatologia do AVC na FA envolve a formação de trombos no átrio esquerdo, principalmente na auriculeta, devido à estase sanguínea e à disfunção endotelial. Esses trombos podem embolizar para a circulação sistêmica, causando AVC. A estratificação de risco com o score CHA2DS2-VASc é a ferramenta padrão para determinar a necessidade de anticoagulação, sendo um AVC prévio um dos fatores de maior peso. O plano de cuidado para pacientes com FA inclui a prevenção de AVC com anticoagulantes orais (antagonistas da vitamina K ou anticoagulantes orais diretos), controle da frequência cardíaca e, em alguns casos, controle do ritmo. A decisão de anticoagular é baseada no risco de AVC versus o risco de sangramento. Para o paciente do enunciado, com 78 anos e histórico de AVC isquêmico, o score CHA2DS2-VASc é elevado, indicando claramente a necessidade de anticoagulação oral plena para prevenir novos eventos tromboembólicos.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do score CHA2DS2-VASc na Fibrilação Atrial?

O score CHA2DS2-VASc é crucial para estratificar o risco de acidente vascular cerebral (AVC) em pacientes com Fibrilação Atrial não valvar. Ele atribui pontos para fatores de risco como insuficiência cardíaca, hipertensão, idade, diabetes, AVC/AIT prévio, doença vascular e sexo feminino, guiando a decisão de iniciar a anticoagulação oral.

Quando a anticoagulação oral é indicada na Fibrilação Atrial?

A anticoagulação oral é indicada para homens com CHA2DS2-VASc score ≥ 2 e para mulheres com CHA2DS2-VASc score ≥ 3. Para homens com score 1 e mulheres com score 2, a decisão deve ser individualizada, considerando o risco-benefício e as preferências do paciente.

Por que a aspirina não é suficiente para prevenir AVC na Fibrilação Atrial?

A aspirina é um antiagregante plaquetário e não atua nos mecanismos de formação de trombos na Fibrilação Atrial, que são principalmente embólicos e resultam da estase sanguínea no átrio. Estudos demonstraram que a aspirina tem eficácia limitada na prevenção de AVC na FA e não é superior ao placebo, enquanto aumenta o risco de sangramento.

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