HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2023
Homem de 58 anos de idade, hipertenso e diabético, sem histórico de eventos isquêmicos, tem FA persistente recém-diagnosticada. Faz uso de enalapril, anlodipina, metformina e AAS. Nega uso de álcool ou drogas. Hemograma, função hepática e coagulograma normais. Não faz uso de AINE e não tem histórico de úlcera nem de quedas. Seu ecocardiograma mostra miocardiopatia dilatada com leve regurgitação mitral funcional.É proposta adequada para o paciente:
FA + CHA2DS2-VASc ≥ 2 → anticoagulação oral; suspender AAS se não houver outra indicação.
O paciente tem FA persistente e múltiplos fatores de risco (HAS, DM, IC/miocardiopatia dilatada, idade), resultando em um CHA2DS2-VASc elevado. A anticoagulação oral é mandatória para prevenção de AVC. O AAS não é eficaz para prevenção de AVC na FA e aumenta o risco de sangramento quando associado a anticoagulantes, devendo ser suspenso se não houver outra indicação clara.
A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais comum, associada a um risco significativamente aumentado de acidente vascular cerebral (AVC) tromboembólico. A estratificação de risco para AVC é crucial e é realizada principalmente pelo escore CHA2DS2-VASc, que considera fatores como insuficiência cardíaca, hipertensão, idade, diabetes mellitus, AVC/AIT/TE prévio, doença vascular e sexo feminino. Pacientes com escore elevado necessitam de anticoagulação oral para prevenção de eventos. A escolha do anticoagulante (antagonistas da vitamina K como varfarina ou anticoagulantes orais diretos - DOACs) depende de fatores como função renal, custo e preferência do paciente. É fundamental reavaliar a medicação concomitante, especialmente o ácido acetilsalicílico (AAS). O AAS não tem papel na prevenção de AVC em pacientes com FA e, quando associado a um anticoagulante, aumenta o risco de sangramento sem benefício adicional na prevenção de AVC, devendo ser suspenso, a menos que haja uma indicação clara e independente para seu uso (ex: doença arterial coronariana recente). O manejo da FA exige uma abordagem individualizada, considerando o risco de AVC versus o risco de sangramento (avaliado pelo escore HAS-BLED). A educação do paciente sobre a importância da adesão à terapia anticoagulante e o monitoramento regular são essenciais para otimizar os resultados e minimizar complicações. A miocardiopatia dilatada, como no caso, aumenta o risco de eventos tromboembólicos na FA.
A anticoagulação oral é indicada para pacientes com FA e escore CHA2DS2-VASc ≥ 2 (homens) ou ≥ 3 (mulheres), devido ao alto risco de AVC.
O AAS não é recomendado para prevenção de AVC em pacientes com FA isolada, pois não demonstrou eficácia superior à anticoagulação e aumenta o risco de sangramento quando associado a anticoagulantes.
O risco de sangramento é avaliado pelo escore HAS-BLED, que considera fatores como hipertensão, função renal/hepática alterada, AVC prévio, sangramento prévio, labilidade do INR, idade > 65 anos e uso de drogas/álcool.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo