PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2019
Raul, 8 anos, previamente hígido. Na consulta, os pais referem que há 15 dias a criança vem queixando de cefaleia. Foi medicado com Amoxacilina por diagnóstico de sinusite bacteriana, porém, sem melhora. Há 3 dias iniciou com vômitos e febre. Ao exame clínico são constatados os seguintes dados significativos: febre de 39,5° C, a criança está consciente, porém, desorientada e apresenta diminuição global da força muscular em membros. Foi solicitada uma tomografia do crânio (TC) que demonstrou um nódulo à direita, de 2,5 cm de diâmetro, com desvio da linha média. Sobre o caso clínico apresentado, assinale CERTO para verdadeiro e ERRADO para falso para a afirmação a seguir: O esquema indicado para o tratamento é Oxacilina associada à Vancomicina e Metronidazol, com duração de tratamento não inferior a 6 semanas.
Abscesso por sinusite → Ceftriaxone + Metronidazol (± Vancomicina se suspeita de S. aureus/MRSA).
O esquema Oxacilina + Vancomicina é redundante para Gram-positivos e falha em cobrir Gram-negativos e anaeróbios típicos de sinusites. O tratamento padrão exige cefalosporina de 3ª geração e cobertura para anaeróbios.
O tratamento do abscesso cerebral baseia-se no tripé: suporte clínico (controle de edema e convulsões), antibioticoterapia direcionada e intervenção cirúrgica. A escolha do antibiótico deve ser guiada pela provável fonte de infecção. Para focos sinusais, a flora é polimicrobiana, incluindo Streptococcus viridans, microaerofílicos e anaeróbios (Bacteroides, Fusobacterium). O uso de Ceftriaxone garante excelente penetração liquórica e cobertura para Gram-negativos e estreptococos, enquanto o Metronidazol é essencial para os anaeróbios. A Oxacilina, citada na questão, é uma penicilina resistente à penicilinase com espectro restrito a estafilococos sensíveis, sendo insuficiente para o caso clínico apresentado.
Este esquema apresenta redundância desnecessária e lacunas importantes. Oxacilina e Vancomicina têm o mesmo alvo principal (Staphylococcus aureus), sendo a Vancomicina preferível apenas se houver suspeita de MRSA. Mais importante, esse esquema carece de cobertura para bacilos Gram-negativos aeróbios, que são patógenos comuns em abscessos de origem sinusal. O esquema preferencial seria Ceftriaxone (Gram-negativos e Estreptococos) associado ao Metronidazol (anaeróbios).
A duração do tratamento antibiótico para abscesso cerebral é prolongada, geralmente variando de 4 a 8 semanas de terapia parenteral. A duração exata depende da resposta clínica, dos achados em exames de imagem seriados (redução do realce e do edema) e se houve ou não drenagem cirúrgica completa da lesão. Tratamentos inferiores a 4-6 semanas apresentam altas taxas de recidiva.
A Vancomicina deve ser incluída no esquema empírico quando há suspeita de Staphylococcus aureus resistente à oxacilina (MRSA). Isso ocorre tipicamente em casos de abscesso cerebral pós-craniotomia, trauma penetrante craniano ou quando há evidência de colonização por MRSA. Em abscessos de origem sinusal ou otogênica, o foco principal são estreptococos e anaeróbios.
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