CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2011
Qual dos agentes abaixo tem ação bactericida?
Penicilinas = Bactericidas (parede celular); Tetraciclinas/Macrolídeos = Bacteriostáticos.
Agentes bactericidas causam a morte direta da bactéria, enquanto bacteriostáticos apenas inibem seu crescimento e replicação, dependendo do sistema imune para eliminação.
A distinção entre antibióticos bactericidas e bacteriostáticos é um pilar da farmacologia clínica. Os bactericidas incluem os beta-lactâmicos (penicilinas, cefalosporinas), aminoglicosídeos, fluoroquinolonas e vancomicina. Eles geralmente atuam na parede celular ou no DNA. Os bacteriostáticos incluem as tetraciclinas, macrolídeos, clindamicina e sulfonamidas, atuando majoritariamente na síntese proteica ou metabólica. É importante notar que essa classificação pode variar dependendo da concentração da droga e do microrganismo alvo, mas para fins acadêmicos e de provas, as divisões clássicas são mantidas.
As penicilinas pertencem à classe dos beta-lactâmicos. Elas agem inibindo a síntese da parede celular bacteriana ao se ligarem às Proteínas Ligadoras de Penicilina (PBPs). Isso impede a transpeptidação do peptidoglicano, componente estrutural essencial da parede. A interrupção da síntese da parede, aliada à ativação de enzimas autolíticas bacterianas, leva à lise osmótica e morte da bactéria, caracterizando uma ação bactericida.
A tetraciclina e a eritromicina (um macrolídeo) agem inibindo a síntese proteica bacteriana ao se ligarem às subunidades do ribossomo (30S para tetraciclinas e 50S para macrolídeos). Ao bloquear a tradução do RNAm, elas impedem o crescimento e a replicação da bactéria, mas não causam a morte imediata da célula. A eliminação final do patógeno depende da resposta imunológica do hospedeiro (fagocitose), por isso são chamadas de bacteriostáticas.
Agentes bactericidas são preferíveis em infecções graves, em locais de difícil acesso para o sistema imune ou em pacientes imunocomprometidos. Exemplos clássicos incluem endocardite bacteriana, meningite e neutropenia febril. Nessas situações, não se pode depender apenas da resposta imune do paciente para erradicar a infecção, sendo necessária a morte direta dos microrganismos pelo fármaco.
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