HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022
Homem, 24 anos, motoboy, sofre acidente de trânsito, sendo arremessado a distância após colisão com poste. Apresenta dor abdominal intensa e múltiplas escoriações em membros superiores. Levado à emergência e após o devido atendimento segundo ATLS, tem indicação de laparotomia. Considerando o caso, qual é a alternativa correta em relação ao uso de antibioticoprofilaxia?
Laparotomia por trauma abdominal com risco de lesão de víscera oca → Cobertura ATB para Gram negativos e anaeróbios.
Em casos de trauma abdominal que indicam laparotomia, especialmente com suspeita ou risco de lesão de vísceras ocas, a antibioticoprofilaxia deve abranger tanto bactérias Gram negativas quanto anaeróbias. A flora endógena do trato gastrointestinal, rica nesses microrganismos, é a principal fonte de contaminação e infecção do sítio cirúrgico ou peritonite, justificando essa cobertura ampla.
O trauma abdominal é uma emergência médica frequente, com alta morbimortalidade, e a infecção é uma das complicações mais temidas, especialmente após laparotomia. A antibioticoprofilaxia adequada é um pilar fundamental no manejo desses pacientes, visando reduzir o risco de infecções do sítio cirúrgico e peritonite. A compreensão da flora bacteriana envolvida é crucial para a escolha do esquema antibiótico. Em casos de trauma abdominal que requerem laparotomia, como o descrito, há um risco significativo de lesão de vísceras ocas (estômago, intestino delgado, cólon). Quando essas vísceras são lesadas, ocorre extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade peritoneal, introduzindo uma vasta gama de bactérias. A flora endógena do trato gastrointestinal é predominantemente composta por bactérias Gram negativas (como Escherichia coli) e, em maior número, por anaeróbios (como Bacteroides fragilis). Portanto, a antibioticoprofilaxia deve ser direcionada para cobrir esses microrganismos. A escolha de um antibiótico ou combinação de antibióticos que ofereça cobertura eficaz contra Gram negativos e anaeróbios é essencial para prevenir infecções pós-operatórias. O protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support) enfatiza a importância da profilaxia precoce e adequada em pacientes com trauma abdominal que serão submetidos à cirurgia, contribuindo significativamente para a redução das complicações infecciosas e melhorando o prognóstico do paciente.
A antibioticoprofilaxia é indicada em trauma abdominal quando há risco de contaminação bacteriana, como em casos de laparotomia por trauma penetrante, lesão de vísceras ocas, ou quando há evidência de contaminação peritoneal.
Os principais germes a serem cobertos são os da flora intestinal, que incluem bactérias Gram negativas (como E. coli) e anaeróbios (como Bacteroides fragilis), pois são os mais frequentemente envolvidos em infecções intra-abdominais pós-trauma.
A duração da antibioticoprofilaxia em trauma abdominal geralmente é curta, limitada a uma dose única pré-operatória ou estendida por no máximo 24 horas. Em casos de contaminação estabelecida ou lesão de víscera oca, o esquema pode ser estendido para tratamento, não apenas profilaxia.
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